AFP PHOTO / Ben STANSALL
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Mãe lança bebê pela janela do prédio para salvá-lo do incêndio em Londres

Testemunha relata que homem conseguiu segurar a criança; diversas pessoas eram vistas nas janelas ‘batendo freneticamente e gritando’; morador conta que não ouviu o alarme anti-fogo

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 12h24

LONDRES - O incêndio de grandes proporções em um prédio residencial em Londres deixou vários moradores desesperados, preocupados em salvar principalmente a vida de seus filhos. Uma sobrevivente relatou que viu “pessoas nas janelas batendo freneticamente e gritando”.

Ela conta que viu uma mulher em uma janela entreaberta “gesticulando para indicar que iria jogar o seu bebê e pedindo que alguém o pegasse”. “Alguém o pegou, um senhor correu e conseguiu agarrar a criança”, relata Samira Lamrani, de 38 anos.

Segundo ela, uma amiga de sua filha disse que viu um adulto fazer uma espécie de paraquedas improvisado para sair do prédio pela janela. “O som das crianças, com suas vozes agudas, ficarão comigo por um longo tempo.”

Vários adultos lançaram crianças das janelas da Grenfell Tower, no oeste de Londres, em uma aparente tentativa de salvá-las do incêndio, que começou no início da madrugada e deixou ao menos 12 mortos e mais de 70 feridos. Diversas pessoas já foram hospitalizadas em centros médicos da capital.

Samira disse que as pessoas que estavam nas imediações do bloco de apartamentos tentavam "tranquilizar" as pessoas que gritavam pelas janelas. "Podia ver a morte nos seus olhares", afirmou.

Outra testemunha da tragédia, uma residente chamada Zara, detalhou como viu também outra mulher lançar seu filho, de cerca de cinco anos, da janela do quinto "ou sexto andar". "Acredito que o menino tenha alguns ossos quebrados, mas que está bem.”

Um dos residentes do bloco, Paul Munakr, que vive no sétimo andar e conseguiu escapar das chamas, declarou à rede BBC que não ouviu no interior do edifício "o alarme anti-fogo".

Ele disse que foi alertado pelo som das sirenes dos bombeiros e das pessoas que gritavam na rua "não saltem, não saltem". "Sinceramente, não se sabe se elas saltaram das janelas para escapar do fogo, mas para mim, o principal neste incidente, é que os alarmes não soaram dentro do edifício", lamentou.

Outra testemunha, Jody Martin, presenciou como um dos residentes do bloco "saltou para a rua" de uma das janelas, e como outra mulher "agarrava seu bebê pela parte exterior da janela". "Eu gritava para que saíssem e eles me diziam que não podiam abandonar os seus apartamentos porque a fumaça era muito intensa nos corredores.”

O repórter da BBC Andy Moore afirmou que tinha visto "cair escombros do edifício, e escutado explosões e o som de vidro quebrando ao cair". Segundo ele, os policiais "empurravam as pessoas para afastá-las do cordão de segurança por medo de um colapso do prédio".

Muna Ali, outra moradora, reconheceu que no começo do incêndio temeu que pudesse se tratar de um "atentado terrorista", pois o fogo a lembrou do ataque contra as Torres Gêmeas de Nova York em 2003.

"As chamas, nunca vi nada assim, me lembrou o 11 de Setembro. O fogo começou nos apartamentos da frente e se espalhou com muita rapidez", explicou ela. Muna disse que alguém avisou alguns amigos que viviam no quarto andar do prédio, um casal com três filhos, para que pudessem escapar. "Alguns chamavam nas portas, mas as pessoas não abriam.”

Cerca de 200 bombeiros equipados com 45 caminhões-pipa, bem como uma centena de médicos e policiais, prosseguem com os trabalhos de resgate na Grenfell Tower, cuja estrutura "ainda é considerada segura" para seguir com as operações. / EFE

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