Mãe soube da morte de Vieira de Mello no fim da tarde

Eram 16 horas quando a embaixatriz Gilda dos Santos Vieira de Mello, de 83 anos, soube que o filho, o chefe da missão da ONU no Iraque, Sérgio Vieira de Mello, havia sofrido um atentado em Bagdá. Apesar de a família ter recebido a confirmação da morte do diplomata duas horas antes, Gilda foi informada apenas de que o filho estava sob escombros. "Aquele filho era a vida dela. Ela está em desespero total", contou o primo de Viera de Mello, o médico Antônio Vieira de Mello. Gilda soube da verdade às 17 horas.Durante todo o dia, a família tentou esconder de Gilda informações sobre o atentado. O neto dela, André Simões, sua mulher e uma vizinha ficaram ao lado da embaixatriz para distraí-la. A televisão permaneceu desligada e o telefone, fora do gancho. "Quando ocorrem coisas desse tipo, ele sempre liga para dizer que está bem. Hoje, ele não tem como ligar", explicou Simões, sobrinho e afilhado do diplomata. Muito abalada, Sônia Vieira de Mello, irmã mais velha do diplomata e mãe de Simões, foi mantida longe da mãe, em outro apartamento.Gilda andava muito preocupada com o filho. Em maio, havia colocado o nome de Vieira de Mello dentro de uma Bíblia, a fim de garantir-lhe proteção maior. No domingo, quando a última entrevista do alto comissário da ONU foi publicada no Estado, a preocupação da embaixatriz aumentou. Ele declarara que a missão no Iraque era a mais perigosa da sua carreira.Às 14 horas, a família recebeu um telefonema do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmando a morte de Vieira de Mello. Amorim fora informado pouco antes pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, com quem conversou por telefone. O ex-governador do Estado da Guanabara, Celso Peçanha, de 87 anos, vizinho da embaixatriz, testemunhou, nos últimos meses, a preocupação de Gilda com o filho. "Ela chorava muito e eu a consolava. Ela temia que ele não resistisse à violência daquela região", afirmou. "Foi um choque para o mundo inteiro. O trabalho que ele fez no Timor Leste foi muito importante. Ele era um exemplo de vida para a família e para o País", disse, emocionado, João Botelho, de 70, também vizinho da mãe de Vieira de Mello.

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