Mães de desaparecidos argentinos apóiam Cuba

A Associação Mães da Praça de Maio, o grupo de mulheres argentinas que liderou uma campanha contra o desaparecimento de pessoas na Argentina durante a última ditadura militar, apoiou a decisão cubana de aplicar a pena capital a três seqüestradores de uma balsa. "Estamos fartas de ler e escutar jornalistas e intelectuais criticarem e pontificarem contra a atitude da Revolução cubana", disse um breve comunicado da associação. O texto foi divulgado por La Jiribilla, uma publicação cultural da ilha caribenha. Pelo seu posicionamento, parece ser do setor mais radical do grupo, encabeçado por Hebe de Bonafini, embora o comunicado não esclareça isso.Bonafini também deu sua adesão a uma declaração de quase 600 intelectuais cubanos, divulgada em 1º de maio e na qual se adverte aos EUA que não usem de pretextos como o de uma potencial crise migratória para atacar a ilha."A Associação Mães da Praça de Maio, que nunca pediu a pena de morte para os genocidas argentinos, respeita a decisão da Revolução cubana, que está sendo atacada e ameaçada por (o presidente americano, George W.) Bush e seus sequazes", diz o documento. Os três homens foram executados em meados do mês passado após o seqüestro - frustrado e sem vítimas - de uma balsa, com a intenção de chegarem ilegalmente aos EUA. As mulheres do grupo argentino manifestaram seu apoio "à autodeterminação dos povos" e suas constituições. Além disso, protestaram: "Os EUA têm a pena de morte, que aplicam quando querem: com gás letal, cadeira elétrica ou injeção letal; mas nunca ouvimos (protestos) de nenhum deles (os intelectuais que criticaram a ilha)".

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