VIVEK PRAKASH / AFP
VIVEK PRAKASH / AFP

Mães vão para as ruas em Hong Kong em apoio a manifestantes

Mães, pais e até avós deram seu testemunho sobre como compreendiam as aspirações de seus filhos e netos, muitos deles, presos após a invasão ao Parlamento na segunda-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2019 | 16h38

HONG KONG - Milhares de mães de Hong Kong demonstraram nesta sexta-feira, 5 (hora de Brasília, sábado na hora local), seu apoio aos jovens manifestantes da cidade, alguns dos quais detidos pela invasão ao Parlamento na segunda-feira. Elas se concentraram por mais de duas horas em uma praça do centro, perto da Câmara Municipal. 

As mães, acompanhadas também por vários pais, se sentaram no chão da praça com cartazes com dizeres como "estamos com os meninos", "deixe de polarizar a sociedade de Hong Kong" e "retire a lei e deixe de ser uma inimiga do povo", em referência à chefe do Executivo local, Carrie Lam, para que abandone o controverso projeto de lei de extradição para China continental, motivo que desencadeou os protestos. 

"Queremos mostrar nosso apoio aos jovens, dizer a eles que não estão sozinhos e ao governo que eles têm razão", disse Siuching Mswong, uma mulher de cerca de 40 anos, cujos filhos ainda não têm idade para protestar. Ela afirmou que saiu às ruas por querer um "futuro de paz e liberdade" para eles. 

Miguel Yip, de 55 anos, disse não estar de acordo com a tomada do Parlamento, mas entendia  "a frustração" dos manifestantes e insistiu que o governo deve responder às demandas dos manifestantes. 

"O ato do Parlamento foi simbólico, é uma expressão da falta de confiança dos jovens no sistema, de sua desesperança", lamentava Wai Chang, uma das mães. Para ela, a China tem influência no que está acontecendo no território semi-autônomo, mas o pior, na sua opinião, são as pessoas "se vendendo". "Muitos estão se deixando comprar e fazendo grandes fortunas a custa de acabar com as liberdades", disse. 

"Os danos ao Parlamento podem ser reparados sem grandes problemas, mas nossa liberdade não", disse Mimi Lee, outra mãe que disse estar muito triste em como o governo está tratando as novas gerações. Ela lamentou a perda de liberdade em Hong Kong nos últimos 22 anos, desde que houve a transferência da soberania britânica sobre o território para a China em 1997.

Em um cenário improvisado organizado na praça, mães, pais e até avós davam seu testemunho sobre como compreendiam as aspirações de seus filhos e netos. 

"Temos de nos perguntar o que é mais violento: os danos causados pelos manifestantes ao prédio do Parlamento ou a deliberada destruição da amplamente estabelecida proteção institucional da liberdade e justiça em Hong Kong", assinalou a declaração conjunta das mães, lida durante a concentração. 

Foi divulgado hoje que a chefe de governo de Hong Kong ofereceu um encontro com líderes estudantis de várias universidades da cidade, mas eles responderam que somente aceitariam se a reunião se realizasse em público e os detidos nos protestos fossem soltos. 

Desde o início das manifestações, 71 pessoas já foram detidas, segundo fontes do movimento pró-democracia. Quinze delas foram presas após invadirem o Parlamento em meio a centenas de manifestantes. 

Algumas vozes do poder local, como o ex-presidente do Parlamento Jasper Tsang, se mostraram favoráveis a uma anistia de Lam aos detidos, se forem condenados. Para eles, os enfrentamentos têm uma raiz social e, nesse caso, o perdão poderia ser oferecido. 

No entanto, assessores da chefe do Executivo consideraram nesta sexta-feira que uma anistia poderia ser prejudicial à aplicação da lei. / EFE

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