Maestro lamenta Israel proibir música de Wagner

O maestro Daniel Barenboim disse hoje que lamenta a decisão da direção do mais importante festival israelense de não permitir que a Orquestra Estatal de Berlim tocasse música de Wagner em suas apresentações naquele país, alegando que o compositor alemão foi um dos favoritos dos nazistas. Os organizadores do Festival Israel mudaram a programação da orquestra dirigida por Barenboim após consultarem o destacado maestro e pianista nascido na Argentina. A decisão dos organizadores se seguiu às pressões feitas nesse sentido por sobreviventes do genocídio da Segunda Guerra, por políticos e membros de uma organização dedicada à caça de nazistas. Em lugar de tocar o primeiro ato da ópera "As Valquírias", de Wagner, como estava programado, a orquestra tocará peças de Schumann e Stravinsky. "Mas estou convencido de que isto é uma questão de democracia. Afinal de contas, a música de Wagner em si mesma não representa um problema para os judeus, (o problema) é a associação (com ela) criada pelos nazistas", acrescentou. "Não tocar a música de Wagner só faz justificar a posteriori essa associação".Barenboim, criado em Israel e residente em Berlim, deixou claro, no entanto, que tinha grande interesse em viajar com sua orquestra para Israel e tocar naquele país.

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