EFE/EPA/VERNON YUEN
EFE/EPA/VERNON YUEN

Magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai é preso

Lai é considerado uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 01h17

HONG KONG - O magnata da mídia Jimmy Lai, uma das principais figuras do movimento pró-democracia de Hong Kong, foi preso nesta segunda-feira, 10, na ex-colônia britânica sob a nova lei de segurança nacional. A informação foi confirmada por uma fonte policial.

"Eles o prenderam em sua casa por volta das 07h (hora local). Nossos advogados estão a caminho da delegacia", disse Mark Simon, um colaborador de Jimmy Lai. Além disso, ele acrescentou que outros membros do grupo de imprensa Lai leva também foram presos. 

Mais cedo, Simon anunciou no Twitter que a prisão estava ocorrendo. "Jimmy Lai está sendo detido neste momento por conluio com potências estrangeiras." Um policial que pediu anonimato disse que Lai havia sido preso por conluio com forças estrangeiras, uma das novas proibições contidas na lei de segurança nacional, e por fraude. Simon disse no Twitter que a polícia estava revistando a casa de Lai e a de seu filho.

Dezenas de policiais de Hong Kong invadiram as instalações do jornal Apple Daily logo após sua prisão, segundo imagens transmitidas ao vivo por jornalistas. Os repórteres filmaram e transmitiram ao vivo em suas páginas do Facebook a aparição dos policiais no escritório do jornal, localizado em um prédio em um distrito industrial nos arredores de Hong Kong.

Jimmy Lai, 72, possui duas publicações abertamente pró-democracia e críticas ao governo de Pequim, o jornal Apple Daily e a Next Magazine. Para muitos residentes de Hong Kong, Jimmy Lai é um herói, um executivo da imprensa combativo e o único magnata semi-autônomo que ousa criticar Pequim.

Na mídia oficial chinesa ele é denunciado como um "traidor", um inspirador das manifestações pró-democracia que ocorreram em Hong Kong e é apontado como o chefe de um grupo de personalidades acusadas de conspirar com nações estrangeiras para prejudicar a China.

Em meados de junho, duas semanas antes da imposição da nova lei de segurança nacional, Jimmy Lai disse à AFP que esperava ser preso. "Estou preparado para ir para a prisão", disse ele.

“Se isso acontecer, terei oportunidade de ler livros que ainda não li. A única coisa que posso manter-me otimista". Na época, ele comentou que a nova lei "colocaria Hong Kong de joelhos". "Isso vai substituir ou destruir nosso Estado de Direito e destruir nosso status financeiro internacional", disse ele. /AFP

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