Magnata dos cassinos financia campanha de Gingrich

Por seu apoio a Israel, republicano caiu nas graças de Sheldon Adelson, um dos homens mais ricos do mundo

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h03

A viagem de um grupo de congressistas americanos à Jordânia tinha por objetivo uma reunião com o rei Abdullah II, que havia sido coroado recentemente. O guia, porém, tinha uma agenda mais complicada. Ele era Sheldon Adelson, magnata dos cassinos de Las Vegas, que ajudou a organizar viagens ao Oriente Médio para ganhar apoio do Congresso a Israel. Na ocasião, em 1999, enquanto os parlamentares participavam de uma recepção no palácio de Amã, Adelson e um assessor se recolheram a um aposento privado com o rei.

Ali, Abdullah II ouviu polidamente enquanto Adelson apresentava sua proposta de um resort de jogo na fronteira entre Jordânia e Israel, que se chamaria Red Sea Kingdom (Reino do Mar Vermelho).

"Isso foi pouco antes de seu pai, o rei Hussein, morrer. Ele era grato a mim", explicou Adelson mais tarde, em depoimento judicial, recordando que havia emprestado seu avião quando o monarca, enfermo, precisou se tratar nos EUA.

A proposta não deu em nada - Adelson disse depois que teve medo que um cassino de propriedade de um judeu em terra árabe "poderia ser explodido". Mas sua conversa com o rei mostra a ousadia que levou Adelson às fileiras dos homens mais ricos do mundo e o transformou em um poderoso jogador nos bastidores.

Essas qualidades também podem ajudar a explicar por que Adelson, de 78 anos, decidiu jogar sua riqueza no que antes pareciam aspirações improváveis de Newt Gingrich à Casa Branca. Agora, por conta do bolso de Adelson, Gingrich está engalfinhado em uma disputa com Mitt Romney na primária republicana da Flórida.

Adelson tem um império de cassinos, hotéis e centros de convenção no valor de US$ 22 bilhões. Sua peça central é o cassino Venetian, em Las Vegas, um monumento com canais, gondoleiros cantores e hectares de máquinas caça-níqueis.

Essa fortuna é um manancial de apoio financeiro a Gingrich, que já se beneficiou de US$ 17 milhões em contribuições de Adelson e sua mulher, Miriam, nos últimos anos, incluindo US$ 10 milhões nas últimas semanas.

O motivo da generosidade de Adelson: a devoção do empresário a Israel e sua lealdade ao amigo. Sionista fervoroso, contrário a qualquer concessão territorial aos palestinos, Adelson já havia se aproximado anteriormente de Gingrich, um virulento defensor de Israel.

O empresário não é famoso. Ele evita os holofotes e raramente fala com a imprensa. Não quis ser entrevistado, mas declarou que amizade e lealdade são "nossa motivação para ajudar Newt". Adelson é um dos maiores doadores do American Israel Public Affairs Committee (Aipac), o poderoso lobby pró-Israel.

Amigos dizem que suas crenças sionistas são consistentes como sua personalidade combativa. As visões de sua mulher, que passou por várias períodos conturbados em Israel, incluindo a guerra de 1967, ajudaram a moldar as suas. / THE NEW YORK TIMES, TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.