Magnata tinha planos de se mudar para o Brasil

Corinthians, estádios, Varig e até etanol. Boris Berezovski não falava português e nem gostava de futebol, mas passou a ver o Brasil como uma saída diante das ameaças que vinha sofrendo em Londres e chegou a negociar com o governo brasileiro a possibilidade de que se mudar para o País. Em troca, prometia investir US$ 10 bilhões.

GENEBRA, / J.C., O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h10

"O presidente Lula precisa definir se acredita em mim ou naquele criminoso que é o sr. Putin", afirmou Berezovsky ao Estado no final de 2007 em uma entrevista exclusiva.

O cartão de visitas de Berezovski no Brasil foi seu investimento por meio da MSI no Corinthians. Mas esse dinheiro não era mais que uma justificativa para comprar sua passagem ao Brasil. "Eu não entendo muito de futebol", declarou.

Berezovski chegou a planejar morar no Brasil por alguns meses do ano, escapando assim da pressão cada vez maior de Moscou sobre Londres para que fosse entregue à Justiça russa.

Brasília chegou a enviar a Londres um alto funcionário para uma reunião privada para tratar de investimentos e a construção de um estádio para o Corinthians. "O time e o Brasil merecem um estádio", disse na época o magnata.

No total, ele teria indicado ao governo que aplicaria US$ 10 bilhões no País, comprando na prática seu visto.

Mas, diante das investigações da Polícia Federal indicando um envolvimento do russo em esquemas de lavagem de dinheiro, o Palácio do Planalto decidiu baixar o perfil de seus contatos com Berezovski. Na época da ação da PF, o russo voltou a acusar o Kremlin.

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