Mahmoud Abbas apresentará gabinete de emergência

Governo será formado por 12 independentes e técnicos e pode durar até 6 meses

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h48

Um gabinete de emergência deve ser apresentado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), ao meio-dia deste domingo, 17. O novo governo deve ser formado por 12 independentes e técnicos e poderá governar durante três meses sem aprovação do Parlamento, no qual o adversário Hamas tem maioria. Mahmoud Abbas assinou um decreto permitindo a formação do governo sem aprovação do Parlamento, e a lei permite manter um gabinete de emergência durante três meses sem passar pelo Poder Legislativo ou durante seis com o consentimento da Câmara. Há três dias, o presidente e líder do movimento nacionalista Fatah dissolveu o governo de união nacional no qual seu partido estava integrado com o Movimento de Resistência Islâmica, Hamas, depois que este tomou o controle da Faixa de Gaza após cinco dias de combates. O primeiro-ministro do gabinete de unidade e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, não aceitou a decisão. Com isso, após a formação do Executivo de emergência, haverá "de fato" dois governos nos territórios palestinos: um na Faixa de Gaza e outro na Cisjordânia. O governo de emergência será liderado por Salam Fayad, um economista independente, mas ligado ao Fatah e com reputação internacional por seu trabalho no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Boicote mundial Fayad foi ministro das Finanças no governo de união nacional já e tinha alcançado uma aproximação com os parceiros ocidentais. Estes poderiam suspender o boicote imposto aos dois últimos Governos palestinos com participação do Hamas, assim que o novo gabinete assumir. Os Estados Unidos já se disseram dispostos a isto assim que houver um gabinete legítimo e comprometido com o processo de paz. A União Européia e países árabes também fizeram declarações no mesmo sentido. O jornal israelense Ha´aretz publicou há alguns dias que Israel poderia entregar a Abbas a receita retida das tarifas cobradas em nome da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O repasse delas foi suspenso quando o Hamas chegou ao poder, democraticamente, em março do ano passado. O fluxo de ajudas ao governo de emergência acentuaria a disparidade entre a Cisjordânia e a Faixa Gaza - uma área bem menor, economicamente mais isolada e dependente da ajuda internacional. O novo governo palestino de emergência também terá mais apoio político: os EUA avisaram que retomariam plenamente suas relações com o gabinete que cumprir as condições citadas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que espera retomar o processo de paz. Em declarações à imprensa antes de viajar aos EUA, Olmert disse que o novo Governo "cria uma oportunidade para a paz, como não se teve em muito tempo". "Um Governo que não é do Hamas é um parceiro", acrescentou. Enquanto isso, o jornal britânico Sunday Times cita neste domingo fontes israelenses segundo as quais o próximo ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, planeja uma operação militar contra o Hamas na Faixa de Gaza nas próximas semanas. Entre os planos para a Faixa está o de enviar uma força multilateral. Nos círculos do Fatah, especula-se que a campanha possa ter até uma segunda rodada.

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