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Maia chama visita de Pompeo a Roraima de afronta à diplomacia e defesa do Brasil

Presidente da Câmara dos Deputados critica rápida passagem do secretário de Estado dos EUA pelo país e afirma que viagem, feita a 46 dias da eleição presidencial americana, não condiz com ‘as tradições de autonomia e altivez’ da política externa brasileira

Tulio Kruse, enviado especial a Boa Vista, e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 20h57
Atualizado 22 de setembro de 2020 | 19h22

BOA VISTA -  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira, 18, que a rápida passagem por Roraima do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, era uma afronta à tradição da política externa e da defesa brasileiras. Nas três horas em que esteve em Boa Vista, ao lado do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, Pompeo, chefe da diplomacia americana, endureceu o discurso contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi chamado de “narcotraficante”. 

De acordo com Maia, a visita do secretário de Estado ao Brasil, a apenas 46 dias da eleição presidencial americana, não condiz com a “autonomia” da política externa brasileira. 

“A visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, disse o presidente da Câmara em nota.

Maia afirmou ainda que o Brasil “deve preservar a estabilidade de fronteiras e o convívio pacífico com os países vizinhos” da América Latina. Ele também citou a Constituição e afirmou que o País precisa seguir os princípios de independência, autodeterminação dos povos, não intervenção e defesa da paz nas suas relações com outros países. 

Em Boa Vista, Pompeo e Araújo se uniram para criticar o regime chavista. “Ele (Maduro) não é apenas um líder que destruiu seu país numa crise com as proporções mais extraordinárias na história moderna, ele também é um narcotraficante que envia drogas ilícitas aos EUA e aos americanos todos os dias”, disse o secretário de Estado. 

Em março, o Departamento de Justiça dos EUA acusou formalmente o líder chavista de “narcoterrorismo”. De acordo com os promotores, Maduro lidera um cartel em conjunto com guerrilheiros colombianos para “inundar os EUA de cocaína”. Na ocasião, o governo americano ofereceu US$ 15 milhões (cerca de R$ 80 milhões) como recompensa por informações que levem à prisão do presidente venezuelano.

Nesta sexta-feira, além de também criticar Maduro, Araújo disse que o governo brasileiro não tem a intenção de mediar a crise entre governo e oposição na Venezuela. “Em um conflito você imagina diálogo entre duas partes iguais”, afirmou o chanceler. “Não existe isso na Venezuela. Você tem um lado repressor e um lado reprimido. Não se trata de uma negociação, o governo Maduro nunca teve boa-fé.”

Pompeo desembarcou na tarde de sexta-feira em Boa Vista, vindo de uma passagem rápida por Suriname e Guiana. O secretário de Estado conheceu o trabalho da Operação Acolhida, força-tarefa criada pelo governo federal em março de 2018 para receber os imigrantes venezuelanos que fugiram da crise no país vizinho. Em seguida, o americano partiu para a Colômbia, onde deve ser reunir no sábado, 19, com o presidente Iván Duque. 

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