Maior ação contra Máfia prende 130 nos EUA

Operação, que contou com a ajuda de ex-mafiosos que romperam o código do silêncio, representa duro golpe para o crime organizado

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

Mais de 130 pessoas foram presas em Nova York e New Jersey na maior operação contra a Máfia da história dos Estados Unidos. Facções inteiras foram desmanteladas no início da manhã de ontem, provocando um choque no crime organizado da maior cidade americana.

A operação, que foi comandada pelo FBI (polícia federal dos EUA), contou com a ajuda de ex-mafiosos que se transformaram em informantes. Comentaristas diziam ontem nas redes de TV americanas que o envolvimento dos arrependidos deixa claro que o código de silêncio da organização criminosa foi quebrado. Cerca de 800 agentes federais e policiais participaram da operação.

Os presos são acusados de assassinato, tráfico de drogas, apostas ilegais, incêndios, agiotagem e uma série de outros crimes, segundo afirmou ontem o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder. Sua presença durante o anúncio das prisões buscou mostrar a importância da operação para o governo americano. "Estamos comprometidos e determinados a erradicar o crime organizado", disse o secretário.

Apesar de décadas de combate à Máfia, a organização continua ativa. Seus membros não lembram mais o glamour dos personagens do Poderoso Chefão e eram comparados ontem à Família Soprano, que ficou célebre na série de TV que tem como foco os mafiosos atuais, concentrados acima de tudo nas comunidades de classe média de descendentes de italianos em New Jersey e nos arredores de Nova York.

Algumas das famílias mais conhecidas da Máfia americana, como a Gambino, a Colombo e a De Cavalcante, tiveram seus líderes detidos. Um deles, John Sonny Fanzese, dos Colombo, tem 93 anos e era descrito como uma das figuras que esteve presente em toda a história da Máfia em Nova York. Caso seja condenado, não sairá da prisão antes de completar 100 anos. Também foram presos Andrew Russo, de 73 anos, um dos líderes da família Colombo, além de Joseph Corozzo e Bartolomeo Vernace, ambos da Famiglia Gambino.

Na avaliação do FBI, o desmantelamento dessas facções afetará as ações do crime organizado não apenas em Nova York e New Jersey, mas também em outras partes dos Estados Unidos.

Os mafiosos foram acordados em suas casas pelos agentes que chegaram com as ordens de prisão. Apesar de que há anos são suspeitos de envolvimento no crime organizado, era difícil encontrar provas contra eles. A ajuda dos arrependidos foi fundamental. Por muitos anos, prevaleceu um código de honra e de silêncio entre os mafiosos conhecido em italiano como "omertà".

Até hoje, alguns usam a expressão La Cosa Nostra - como é chamada a Máfia italiana que nasceu na Sicília - para se referir à Máfia nos EUA. Nas últimas décadas, os italianos e seus descendentes, muitos deles da terceira ou até quarta geração americana, perderam espaço para outras máfias étnicas, como a russa, a chinesa e a hispânica.

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