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Maior apagão da história da Índia deixa 700 milhões sem energia

Pelo menos três redes de distribuição de energia entraram em colapso

estadão.com.br,

31 de julho de 2012 | 08h03

Texto atualizado às 17h05

NOVA DÉLHI - A Índia sofreu nesta terça-feira, 31, o maior apagão da história, que deixou 700 milhões de pessoas sem luz - a metade dos habitantes do país e 10% da população mundial. Pelo menos três redes de distribuição de energia entraram em colapso, afetando cerca de 22 dos 28 Estados do norte e do leste do país. O segundo blecaute nas últimas 48 horas causou constrangimento para o governo, mas nem tanto para os indianos, já habituados ao caos energético.

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Cerca de 300 milhões de pessoas não tem acesso contínuo à energia elétrica na Índia. Apagões localizados são rotina. É comum as pessoas continuarem a jantar normalmente quando as luzes piscam nos restaurantes de Calcutá. No gigantesco Safdarjung Hospital, em Nova Délhi, os médicos circulam sem susto por corredores escuros ocupados por pacientes. Há tantos geradores a diesel que, para a maioria, a vida continua normalmente em grandes empresas, hotéis e aeroportos.

O novo blecaute, no entanto, foi incomum em seu alcance, porque se estendeu da fronteira com Mianmar até o Paquistão, por cerca de 3 mil quilômetros de distância. O apagão, que começou às 13 horas locais (4h30 de Brasília), deixou centenas de mineiros presos em Burdwan, 180 quilômetros a noroeste de Calcutá, onde as minas são operadas pela empresa estatal Eastern Coalfields. Autoridades locais aguardavam o restabelecimento da energia para colocar os elevadores subterrâneos em funcionamento.

Segundo Niladri Roy, diretor geral da estatal, os mineiros foram orientados a ir para um local com melhor ventilação, enquanto as equipes de resgate tentam enviar-lhes alimento e água. A falha "sem precedentes", como definiu o ministro da Energia, Sushilkumar Shinde, ocorreu um dia depois de um problema parecido, que deixou quase 400 milhões sem luz na segunda-feira. Os seguidos blecautes causam preocupações sobre a infraestrutura desatualizada da Índia e sobre a falta de habilidade do governo para manter o crescimento econômico e expandir a matriz energética indiana.

Shinde afirmou que a falha ocorreu porque "os Estados ultrapassaram sua capacidade de oferta", causando um efeito dominó. O apagão prejudicou o serviço de trens no norte e no leste do país. Cerca de 400 trens em toda a rede ferroviária foram atingidos. Os metrôs de Nova Délhi e Calcutá foram suspensos por várias horas na hora do almoço. Os semáforos se apagaram, causando gigantescos engarrafamentos nas principais cidades indianas.

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