REUTERS/Isaac Urrutia
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Maior cervejaria da Venezuela suspenderá produção por falta de matéria-prima

Em comunicado, Polar - que faz parte do maior grupo empresarial do país - disse que só tem insumos até o dia 29; paralisação afetará 10 mil pessoas diretamente e outras 300 mil indiretamente

O Estado de S. Paulo

22 Abril 2016 | 16h47

CARACAS - A cervejaria Polar, ícone do maior grupo empresarial da Venezuela, anunciou na quinta-feira, 21, que deixará de produzir cerveja em razão da falta de matéria-prima. A iniciativa afetará cerca de 10 mil empregos diretos e outros 300 mil indiretamente num país que vive uma severa crise econômica.

Em comunicado, a Polar disse que "sem matéria prima não pode produzir" e informou aos clientes e consumidores que só tem cevada maltada "para produzir até 29 de abril". A empresa alega que a falta de insumo se deve ao fato de não conseguir dólares - em razão do controle cambial estatal - para repor seu estoque e pagar fornecedores.

"Dada a circunstância, nos vemos obrigados a suspender a produção de cerveja até que tenhamos acesso às divisas necessárias para encomendarmos matéria-prima", explicou a empresa. A Polar disse ainda que a decisão impactara diretamente mais 10 mil trabalhadores e outros 300 mil de forma indireta entre franqueados, transportadores, clientes e fornecedores em toda a Venezuela. 

"Alertamos ao país sobre a grave situação que enfrentamos e também esgotamos todas nossas opções de endividamento com nossos fornecedores internacionais, sempre esperando que o governo atuasse nesse problema da dívida", afirmou a empresa, sem precisar, no entanto, o volume de produção que perderá.

A Polar é a principal produtora de cerveja e de alimentos da Venezuela e tem como acionista majoritário Lorenzo Mendoza, que foi acusado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de sabotar a economia do país ao supostamente reduzir a produção em suas fábricas.

O grupo empresarial criado há 75 anos fornece produtos como a farinha de milho usada no preparo das arepas - prato típico do país -, além de refrigerantes, queijos, doces, molhos, cereais, peixes em conserva e muitos outros.

Mendoza tem sido constantemente criticado publicamente por Maduro e, em outubro, deputados do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) o denunciaram à procuradoria pelo crime de traição da pátria e usurpação de funções, sob alegação de que ele teria passado por cima do governo e negociado diratamente com Fundo Monetário Internacional (FMI) uma intervenção na crise venezuelana.

A Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo no planeta, tem atualmente a maior inflação do mundo (180,9% em 2015) e passa por uma escassez severa de alimentos, remédios e outros produtos de primeira necessidade que obriga seus cidadão a enfrentarem horas de fila do lado de fora de mercados e farmácias. / AFP

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