Maior democracia vai às urnas

Eleição na Índia pode terminar em derrota para a coalizão governante, há 8 anos no poder

VAISHNAVI CHANDRASHEKHAR, CHRISTIAN SCIENCE MONITOR, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h01

A Índia, maior democracia do mundo, passa por eleições nacionais. A disputa que ocorre a cada cinco anos é conhecida como o maior espetáculo democrático do mundo por suas dimensões e complexidade administrativa. Desta vez, o resultado pode representar uma virada: após 8 anos no poder, a coalizão governante parece rumar para uma derrota.

No intervalo de mais de um mês, 814 milhões de eleitores terão o direito de votar em seus representantes para assentos na Lok Sabha, ou Casa do Povo (a Câmara Baixa).

A Aliança Progressista Unida, que governa o país e é liderada pelo Partido do Congresso, viu-se envolvida numa série de escândalos e entraves econômicos. As pesquisas indicam que a maioria dos indianos deseja mudanças e parece que o Partido Bharatiya Janata (PBJ), da oposição, e seu candidato a primeiro-ministro, Narendra Modi, serão beneficiados.

Como funciona o sistema político da Índia? De acordo com o sistema parlamentar do país, um partido deve controlar mais da metade dos 543 assentos para formar sozinho o governo. Nenhum partido conseguiu isso desde 1984, de modo que se torna necessária a formação de alianças entre os seis partidos nacionais e os 47 partidos estaduais. Assim, Estados com grande número de habitantes exercem grande poder, principalmente Uttar Pradesh, que envia 80 representantes à Câmara Baixa. Coalizões lideradas pelo Partido do Congresso e o PBJ se alternaram no poder nas duas décadas mais recentes.

Como fazer eleições num país de 1,2 bilhão de habitantes? Ao custo de aproximadamente US$ 2 por eleitor, a Índia mobiliza 10 milhões de funcionários eleitorais, incluindo trabalhadores temporários e soldados, para operar 930 mil zonas eleitorais. Os votos serão feitos em 1,8 milhão de urnas eletrônicas.

A eleição é feita no intervalo de cinco semanas, com nove dias de votação, até o dia 12. As longas pausas permitem que as forças paramilitares sejam deslocadas entre diferentes locais para garantir a segurança das zonas eleitorais. As datas também são estabelecidas tendo em conta os diferentes festivais regionais e o cronograma escolar, já que os professores da rede pública formam a massa dos voluntários eleitorais, recebendo por isso.

A geografia indiana traz seus próprios problemas. No passado, era preciso usar barcos e elefantes para levar urnas e funcionários até os distritos nas montanhas do Himalaia e camelos para transportar as urnas eletrônicas nos desertos do Rajastão.

O ex-comissário-chefe das eleições, T. S. Krishnamurthy, disse que o objetivo principal é garantir que os eleitores, em especial aqueles que fazem parte de minorias ou de castas inferiores, não sejam intimidados nem impedidos de votar. Os funcionários também ficam atentos aos gastos de campanha, à cobertura da mídia e à observação do código de conduta por parte dos candidatos, incluindo a proibição aos discursos de ódio.

Qual a razão por trás do sucesso da eleição na Índia? Os comissários são absolutamente independentes, bem pagos e só podem perder o cargo por impeachment. O que torna essa eleição diferente? O número desproporcional de jovens significa uma grande quantidade de eleitores de primeira viagem, embora a participação deles seja tradicionalmente pequena. A crescente urbanização aumenta a importância dos eleitorados urbano e semiurbano.

Em qual direção apontam as forças políticas atuais? A complexa matemática eleitoral da Índia e a dificuldade em contabilizar corretamente os votos de mais de 800 milhões de eleitores tornam arriscado prever o resultado. Neste ano, o eleitorado parece concentrado em questões nacionais como crescimento econômico, inflação e corrupção - apontando para a possibilidade de uma rara cisão entre as preferências por partidos locais e nacionais. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

VAISHNAVI CHANDRASHEKHAR É JORNALISTA

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