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Punit PARANJPE / AFP
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Maior fabricante de vacinas do mundo pede ajuda financeira ao governo indiano

O Instituto Serum produz mais de dois milhões de doses diárias da Covishield — nome da vacina de Oxford/AstraZeneca produzida no país — e fornece o imunizante a um preço subsidiado na Índia

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2021 | 09h00

O Instituto Serum da Índia, maior fabricante de vacinas contra a covid-19 do mundo, pediu ajuda financeira ao governo indiano por causa das restrições à exportação de imunizantes, afirmou o diretor-geral do instituto, Adar Poonawalla.

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi freou no mês passado as exportações das vacinas da AstraZeneca fabricadas pelo SII, já que o país de 1,3 bilhão de habitantes enfrenta uma nova onda de contágios. 

O Instituto Serum produz mais de dois milhões de doses diárias da Covishield — nome da vacina de Oxford/AstraZeneca produzida no país — e fornece a vacina a um preço subsidiado na Índia, muito menor do que o cobrado ao exportar.

Ele disse que o instituto precisa de um financiamento adicional de 30 bilhões de rupias (US$ 408 milhões ou R$ 2,2 bilhões) para aumentar sua capacidade de produção. "O mundo precisa desta vacina e neste momento estamos dando prioridade às necessidades da Índia".

O governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, freou as exportações das vacinas da AstraZeneca fabricadas pelo Instituto Serum porque o segundo país mais populoso do mundo enfrenta uma nova onda de contágios e tenta acelerar a sua vacinação (veja mais abaixo).

O país tem mais de 1,3 bilhão de habitantes e é o terceiro com mais casos confirmados (12,8 milhões) e quarto em mortes por Covid-19 do mundo (166 mil). Nesta quarta-feira, 7, o país registrou um novo recorde de novos infectados (115.736) e o maior número de mortes desde novembro (630).

A pressão colocou a capacidade de produção do SII "sob muita tensão, para afirmar com toda franqueza", afirmou o diretor geral do Serum Institute, Adar Poonawalla, ao canal NDTV. 

"O mundo precisa desta vacina e neste momento estamos dando prioridade às necessidades da Índia. E ainda não podemos fornecer (...) a todos os indianos que precisam", completou.

"Isto nunca foi orçado ou planejado inicialmente, porque deveríamos exportar e obter o financiamento dos países, mas agora que isto não está acontecendo temos que encontrar outras formas inovadoras de aumentar nossa capacidade", disse Poonawalla. 

O SII, que produz mais de dois milhões de doses diárias da Covishield - o nome local da vacina da AstraZeneca -, fornece o fármaco a um preço subsidiado na Índia, muito menor do que o que cobra para as exportações.

A empresa tem um acordo para fornecer 200 milhões de doses para a Covax, aliança global liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para adquirir e distribuir vacinas contra a Covid-19 para países pobres.

Vacinação na Índia

Poonawalla disse a um canal de TV local que o Instituto Serum está "dando prioridade às necessidades da Índia" e mesmo assim não consegue atender "a todos os indianos que precisam".

A Índia é o terceiro país que mais aplicou doses de vacinas contra a Covid-19 no mundo (87 milhões), atrás apenas de Estados Unidos (168 milhões) e China (145 milhões), segundo dados do Our World in Data.

O país já exportou 64,5 milhões de doses até o momento, segundo a agência de notícias Associated Press, mas conseguiu acelerar o seu processo de vacinação após restringir as exportações.

Estão sendo administradas uma média de 3,4 milhões de imunizantes por dia, número superior ao dos EUA (3 milhões), mas inferior ao da China (4,4 milhões). Até fevereiro, a média diária era inferior a 500 mil por dia.

Mas, como é o segundo país mais populoso do mundo, a Índia aplicou poucas doses em relação à sua população (6,31 a cada 100 habitantes). O número é bem menor que o dos EUA (50,41) e inferior ao da China (10,14) e da média mundial (8,90).  

 

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