Maior favela de Caracas vai às urnas dividida

CARACAS

Roberto Lameirinhas ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

Maior favela da Venezuela, o Petare foi dividido às urnas nas eleições de ontem. A região, ao norte da região metropolitana de Caracas, é uma das mais violentas do país e foi forte reduto chavista até o referendo constitucional de 2007, quando 60% de seus eleitores rejeitaram as mudanças propostas por Hugo Chávez. Nas eleições regionais de 2008, o Petare - onde vivem entre 400 mil e 500 mil venezuelanos - votou maciçamente nos candidatos da oposição.   "Nos sentimos abandonados pelo governo", disse ao Estado Eduardo Ramos, na fila para a votação em uma das escolas da favela. "Aqui não há transporte, não há hospitais, não há polícia, não há nada. Chávez nos decepcionou e terá a resposta nas urnas."               

O governo, porém, tomou como ponto de honra a recuperação dos votos no distrito. Nos últimos meses, pavimentou ruas, ampliou a iluminação pública e estendeu linhas de transporte para o interior da favela. Além disso, fundiu a circunscrição eleitoral do Petare a distritos vizinhos, mais simpáticos a Chávez, para equilibrar a votação.        

 

 

 

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Além das pequenas obras na favela, o Partido Socialista Unido da Venezuela, liderado por Chávez, reforçou as atividades políticas do conselho comunal local. Esses conselhos, organismos administram pequenas obras na comunidade - como a construção de praças de esporte e centros de assistência social - e são considerados pela oposição a ponta de lança da doutrinação ideológica chavista.

Na porta da escola, o vendedor José Arango, que oferecia café aos eleitores por 2 bolívares (pouco menos de US$ 1, pela cotação oficial), defendia o governo. "O que tinham feito por nós antes de Chávez?", indagava. "Nada. Nenhum político tinha vindo aqui, não nos davam nenhuma oportunidade. Não nos consideravam cidadãos."

Outro ambulante, no entanto, contestava Arango. "Somos um país rico, temos petróleo, mas o povo não tem nada. Não é possível que o governo distribua o dinheiro para outros países enquanto vivemos na miséria."

 

 

 

 

 

 

 

 

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