Maior partido da África do Sul elege Jacob Zuma como líder

Vitória na convenção do oficialista CNA torna populista favorito para ser o próximo presidente sul-africano

REUTERS

18 de dezembro de 2007 | 18h04

O Congresso Nacional Africano, maior partido da África do Sul, elegeu nesta terça-feira, 18, Jacob Zuma como líder, derrotando o presidente Thabo Mbeki.  A vitória praticamente garante a Zuma o cargo de presidente do país, embora a eleição seja em 2009. A maioria da população negra sul-africana vota em bloco no CNA, que simboliza a luta contra o apartheid. Como o partido tem uma fatia cativa de 60% do eleitorado, Zuma deve ser eleito sem sobressaltos. Impedido de concorrer a um terceiro mandato, o atual presidente tentava segurar o cargo de líder do CNA para não deixar o partido cair nas mãos de seu pior rival. Sua derrota sinaliza uma mudança de direção na política sul-africana.  Zuma, da etnia zulu, é adorado pela base do CNA, ao contrário do intelectual Mbeki. As ligações de Zuma com a esquerda (ele já foi comparado com Chávez, e é considerado um populista) e as incertezas sobre suas propostas políticas causam preocupação em muitos investidores, mais favoráveis às políticas centristas de Mbeki, parcialmente responsáveis pelo mais longo período de desenvolvimento na história do país.  As rivalidades entre seguidores de ambos provocaram a maior divisão na história do antes monolítico CNA, que governa o país desde a primeira eleição democrática, em 1994.  A votação foi adiada por causa de dois dias de caóticas discussões envolvendo Mbeki e seus ministros. O conflito chocou líderes veteranos, como Nelson Mandela.  Embora tenha de deixar a presidência em 2009, Mbeki queria manter a liderança do partido para preservar a influência sobre sua sucessão.  A base do CNA acusa Mbeki de ter negligenciado o combate à Aids, à criminalidade e à pobreza para beneficiar o mercado financeiro.  Várias autoridades, inclusive o ministro de Inteligência, Ronnie Kasrils, negaram na terça-feira que possa haver mudanças nas políticas do CNA devido à ascensão de Zuma.  "A economia é uma questão muito central. Aí haverá uma discussão profunda. Eu não veria [uma mudança], e sim uma forma de atender aos pobres", disse ele a jornalistas na convenção partidária ocorrida na cidade de Polokwane.  Campanha 'americana' Analistas dizem que os mercados estão preparados para a vitória de Zuma, e nem todos os investidores o consideram uma ameaça às políticas econômicas mais prudentes.  O próprio Zuma tentou tranqüilizar os investidores. Ele tem encontrado empresários no exterior e visitado localidades pobres na África do Sul, numa campanha eleitoral em estilo norte-americano.  É a recuperação notável de um político que chegou a ser julgado por estupro e corrupção.  Ele foi absolvido da acusação de violência sexual, mas o processo como um todo -- inclusive sua admissão de que tomou banho para evitar a contaminação pelo HIV após um ato sexual -- abalou sua imagem.

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