Lam Yik Fei / The New York Times
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Maior preocupação do Telegram é uso por terroristas

Depois de examinar 636 canais jihadistas em inglês na plataforma por 17 meses, pesquisadores concluíram que aplicativo 'continua vital no ecossistema de comunicação' do Estado Islâmico

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2019 | 03h00

O Telegram virou notícia como meio de comunicação preferido pela força-tarefa da Operação Lava Jato e pelos organizadores dos protestos contra o governo chinês em Hong Kong. Para a empresa, a preocupação maior veio da China, acusada de ataques digitais coordenados para tirar o aplicativo do ar. A maior dor de cabeça do Telegram continua, contudo, a ser seu uso por jihadistas, revelado pelos atentados na França e na Bélgica.

O programa de estudos sobre extremismo da Universidade George Washington lançou este mês o estudo mais abrangente sobre o tema. Depois de examinar 636 canais jihadistas em inglês na plataforma por 17 meses, os pesquisadores concluíram que “o Telegram continua vital no ecossistema de comunicação” do Estado Islâmico (EI).

Dois motivos tornam o Telegram atraente a jihadistas: a reticência em fornecer informações a agentes da lei e a liberalidade no cumprimento dos termos de serviço. Canais e grupos privados – 70% da amostra analisada – estão imunes a restrições. “Independentemente da segurança do Telegram (ou da falta dela), integrantes do EI continuarão a usá-lo, pois é um refúgio seguro para propaganda”, afirmam os autores, Bennett Clifford e Helen Powell.

Autoridades de vários países têm conseguido se infiltrar nos grupos jihadistas para desbaratá-los. O próprio Telegram tem sido mais aberto a cooperar com a Justiça. “Não está claro se tais esforços podem levar os simpatizantes do EI a migrar para outras plataformas”, dizem Clifford e Powell.

Europa

Bloco nacionalista fracassa no Parlamento

Fracassou a tentativa do italiano Matteo Salvini e da francesa Marine Le Pen para montar um superbloco com todos os partidos eurocéticos e nacional-populistas no Parlamento Europeu. Embora tenham somado 177 cadeiras na eleição (o bloco conservador, o maior, obteve 179), é impossível conciliar as disputas internas. Partidos do leste da Europa e o britânico Nigel Farage divergem da tolerância de Salvini e Le Pen diante da Rússia. O espanhol Vox repudia os flamengos, favoráveis à independência da Catalunha. O Fidesz, da Hungria, se recusa a sair do bloco conservador, onde acredita poder resistir melhor à ameaça de expulsão que paira contra o país, acusado de descumprir cláusulas do Tratado de Lisboa, que regula a UE.

Alemanha

Verdes em primeiro lugar para suceder Merkel

Depois de crescer de 50 para 75 cadeiras no Parlamento Europeu, os verdes despontam como favoritos a liderar o próximo governo na Alemanha. Desde a eleição, no fim de maio, a aliança entre social-cristãos e democratas-cristãos, da chanceler Angela Merkel, caiu de 28% para 25% na preferência dos eleitores. Os social-democratas, de 15% para 13%, mesma fatia que diz preferir os nacional-populistas, estáveis desde o início do ano. Os verdes cresceram de 20% para 26% e superam todos os demais.

Hungria

Revisionismo de Orbán fecha instituto de história

O premiê húngaro, Viktor Orbán, fechou, no fim de maio, o Instituto 56, centro de pesquisas sobre a revolta anticomunista de 1956, e o incorporou ao Instituto Veritas, organização com a qual tenta impor sua visão revisionista da história. Ainda que esvaziado e sem recursos, o Instituto 56 mantinha dez historiadores independentes, que insistiam em contar a verdade sobre a rebelião, liderada por socialistas reformistas, não por nacionalistas, como Orbán.

EUA

Transexual republicana abandona presidente 

A bilionária Jennifer Pritzker, de 68 anos, sempre escandalizou a família, dona de uma fortuna estimada em US$ 29 bilhões. Não por ter, em 2013, se revelado transexual e adotado o novo nome, depois de dois casamentos, três filhos e dez anos aposentada como coronel do Exército James Pritzker. Mas por ser republicana e ter apoiado a campanha de Donald Trump, numa tradicional dinastia democrata. Na Vanity Fair, James Reginato revela que Jennifer desistiu de Trump depois que ele impôs o veto a transexuais nas Forças Armadas.

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