Maior traficante colombiano é preso em megaoperação

Após cerco na selva, 300 policiais acham ''Don Mario'' escondido sob palmeira

REUTERS, AFP E AP, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

A polícia colombiana prendeu ontem o mais procurado traficante de drogas e paramilitar do país. Daniel Rendón Herrera, também conhecido como Don Mario, é acusado enviar grandes carregamentos de cocaína para os EUA. Ele tinha sob seu comando centenas de homens que seriam responsáveis pela morte de 3 mil pessoas só nos últimos 18 meses, segundo a polícia colombiana. Bogotá oferecia uma recompensa de US$ 2 milhões por informações que levassem à prisão de Don Mario. O traficante foi capturado numa região de selva, na cidade de San José de Apartado, no Estado colombiano de Antioquia. Ele foi encontrado debaixo de uma palmeira, onde estava havia dois dias. "Estava escondido como um cachorro", disse o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. Cerca de 300 policiais participaram da operação para prender Don Mario. "Trata-se de uma conquista das instituições colombianas", disse o assessor de imprensa da presidência da Colômbia, César Mauricio Velásquez, no Rio de Janeiro, onde acompanhou o presidente Álvaro Uribe em uma visita oficial. "(Don Mário) era um dos mais temidos traficantes de drogas do mundo", completou Uribe, que interrompeu uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dar em primeira mão a notícia. Segundo autoridades colombianas, o estilo de Don Mario sempre lembrou o do mais conhecido barão da cocaína da América Latina, Pablo Escobar, que declarou guerra contra o Estado colombiano nos anos 80 e foi morto em 1993. Recentemente, com sua organização acuada, Don Mario ofereceu a seus homens uma recompensa de US$ 1 mil para cada policial morto. Ontem à tarde, Don Mario foi mostrado por alguns segundos à imprensa e depois encaminhado, sob rígidas medidas de segurança, para uma delegacia no nordeste da Colômbia. "Essa é uma mensagem para todos os outros paramilitares e narcotraficantes: não importa o que fazem e quem são - eles cairão em algum momento", disse Santos.ARMAS E DROGASDon Mario e seu irmão, Freddy Rendón - conhecido como Alemão, pela disciplina que impunha a seus homens -, controlavam uma área de selva nas proximidades da fronteira com o Panamá que serve de corredor para o comércio de armas e drogas. Antes de sua chegada na região, ela era dominada por guerrilheiros de esquerda. Ambos abandonaram as armas em 2006, aderindo a um programa de desmobilização criado pelo governo como parte de um acordo de paz assinado em 2003 com os paramilitares (que lhes dá penas mais brandas em troca da confissão de seus crimes). Don Mario, porém, voltou para a clandestinidade pouco depois.

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