Maior vantagem de Evo foi na região de La Paz

Saúde e educação, setores considerados "esquecidos" pelos recentes investimentos do governo, preocupam eleitores da situação e da oposição

MURILLO FERRARI, ENVIADO ESPECIAL / LA PAZ, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2014 | 02h00

O Departamento de La Paz foi onde o presidente Evo Morales conseguiu a maior vantagem em relação a seus adversários na eleição presidencial boliviana, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas no domingo. Ele teria conquistado cerca de 70% dos votos da região.

Apesar da demonstração de confiança dos cidadãos da região - deixando claro o apoio às decisões tomadas pelo presidente desde 2006, como a nacionalização dos hidrocarbonetos -, a população da capital exige melhoras em diversos setores, especialmente nas áreas de educação e saúde.

Considerados os pontos mais relevantes para o avanço do país, segundo a maioria dos eleitores ouvidos pelo Estado na capital boliviana ontem, os desafios de Evo nesses dois setores serão maiores no próximo mandato, de 2015 a 2020.

Apesar de a Bolívia ter melhorado muito em seus índices sociais, dados do próprio governo revelam que a saúde e a educação não receberam tanta atenção e, principalmente, investimentos como os que foram feitos nos setores de infraestrutura e grandes obras de mobilidade urbana.

Enquanto o governo boliviano conseguiu avanços significativos na redução da pobreza extrema, do desemprego e da taxa de analfabetismo, a Bolívia ainda ocupa as últimas posições nos rankings do continente em saúde e educação.

Exigências. "É preciso ampliar o acesso dos cidadãos a hospitais, a médicos e garantir que o atendimento seja de qualidade. Se Evo conseguir fazer essa área evoluir de forma que todos tenham acesso a tratamento de saúde de boa qualidade, conseguirá governar por muito tempo", disse à reportagem o artesão Juan Ayka, de 36 anos.

"Outro ponto que precisa de atenção são as crianças. Um governo que gosta do povo tem de investir em ensino e melhorar as escolas", afirmou Ayka, que votou no presidente.

Opositores. Mesmo eleitores que preferiram votar em candidatos da oposição admitem que houve progresso durante o governo de Evo e, como sua reeleição foi o desejo da maioria, esperam que novos projetos façam o país finalmente dar atenção aos setores "esquecidos".

"Ele fez boas obras em vários lugares, incluindo aqui em La Paz e em El Alto, que evoluiu muito nos últimos anos. Por isso, espero que outras regiões do país também sejam beneficiadas com bons projetos que as desenvolvam", disse o estudante de odontologia Eddy González Zorras, de 21 anos. "Na área da educação, por exemplo, muitas crianças já receberam um notebook para auxiliar nos seus estudos, mas isso precisa chegar a todo o país. Precisa ser universalizado."

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