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Maior vulnerabilidade está na rede de telefonia

Protocolo conhecido como SS7 permite o roaming automático entre mais de 800 operadoras no mundo todo

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2019 | 03h00

O mais inquietante nos ataques digitais às contas do aplicativo Telegram de dezenas de autoridades brasileiras é a simplicidade técnica. Graças a um truque conhecido como “spoofing”, os criminosos assumiram o número de celular de ministros, juízes e procuradores para furtar mensagens armazenadas nos servidores do Telegram (até onde se sabe, o celular de ninguém foi invadido).

A vulnerabilidade está nem tanto no Telegram, mas na rede global de telefonia, especificamente num protocolo de comunicação criado em 1975, conhecido pela sigla SS7. É ele que permite o roaming automático entre mais de 800 operadoras no mundo todo. Também permite fingir para a rede – em inglês, “spoof” – que um número de telefone está associado a outro aparelho. A partir daí, o criminoso intercepta ligações, recebe mensagens de texto ou voz enviadas ao dono do número e assume a identidade dele em aplicativos. Funciona como se tivesse clonado o celular, mas sem a necessidade de um cúmplice na operadora.

No início do ano, o britânico Metro Bank atribuiu uma onda de furtos aos buracos no SS7. Mensagens de SMS usadas para movimentar as contas chegavam não aos clientes, mas a celulares operados pelos ladrões. Conhecidas há mais de dez anos, as falhas de segurança do SS7 não têm solução sem mudar o software da rede telefônica no mundo todo. Agências de inteligência resistem, pois são as primeiras a aproveitá-las para espionagem.

Clima

Aquecimento global é ligado a onda de calor europeia

É um desafio atribuir ao aquecimento global eventos específicos, como a onda de calor que castiga a Europa. Só em 2004, após canícula semelhante, cientistas publicaram o primeiro estudo estabelecendo tal vínculo. Desde então, houve uma profusão. Um levantamento da Sociedade Americana de Meteorologia comprovou elo com mudanças climáticas em 70% dos eventos analisados. O aquecimento global tornou as ondas de calor entre cinco e dez vezes mais prováveis na Europa, diz a World Weather Attribution. Em novembro, a União Europeia (UE) inaugura um projeto para verificar, em tempo recorde, a relação de eventos meteorológicos com mudanças no clima global.

Ecologia

Cientistas investigam ‘apocalipse dos insetos’

Na revista online Mongabay, Jeremy Hance denuncia um “apocalipse” na população de insetos no planeta. Ele ouviu 24 entomologistas do mundo todo para investigar o encolhimento de uma população outrora estimada em 1 quintilhão de seres vivos (90% das espécies animais), essenciais à polinização, fertilização do solo e ao fluxo vital nos ecossistemas. Na Alemanha, a quantidade de insetos voadores caiu 75% em 27 anos. Em Porto Rico, a biomassa de artrópodes é hoje entre um décimo e um centésimo do que era havia 40 anos. Estudos em regiões distantes levantaram a hipótese de que o declínio seja global, relacionado às mudanças climáticas.

Poluição

Plástico se funde a rochas na Ilha da Madeira

O plástico nos mares e oceanos já deixa marcas perenes no registro geológico, revela um novo estudo de cientistas portugueses do Centro de Pesquisa Ambiental e Marinha (Mare). Os pesquisadores descobriram que resíduos de polietileno semelhantes a camadas de filme colorido estão impregnados a pedras na Ilha da Madeira, em Portugal, onde dividem o espaço com espécies invertebradas. Três anos depois da primeira observação, a “plasticrosta” – nome com que batizaram a descoberta – já recobre 10% das rochas litorâneas da ilha. Em 2014, um fenômeno semelhante, chamado “plastiglomerado”, foi observado numa praia havaiana.

Democracia

Cingapura adota censura contra ‘fake news’

O Parlamento de Cingapura aprovou em maio uma lei draconiana contra a disseminação de “fake news”. Na prática, ela confere às autoridades o poder de censura. Qualquer ministro pode exigir correções de alguém que tenha produzido conteúdo que considere falso, mesmo em plataformas privadas como WhatsApp ou Telegram. Também pode forçar sites e provedores a tirar do ar ou vedar acesso. O Quênia aprovou lei semelhante no ano passado. Ucrânia e União Europeia avaliam regular o tema.

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