AP Photo/Ann Heisenfelt
AP Photo/Ann Heisenfelt

Maiores companhias aéreas dos EUA proíbem transporte de troféus de caça

United Airlines, American Airlines e Delta anunciaram que não transportarão carcaças de leões, leopardos, elefantes, rinocerontes e búfalos após polêmica morte do leão Cecil, no Zimbábue

O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 09h01

WASHINGTON - As principais companhias aéreas dos Estados Unidos - United Airlines, American Airlines e Delta - decidiram proibir o transporte em seus aviões de troféus de caça, após a polêmica causada pela morte do famoso leão Cecil do Zimbábue por um caçador americano.

A primeira a anunciar a medida foi a Delta, única das três com voos diretos entre EUA e Johannesburgo, que revelou a entrada em vigor da proibição de transportar troféus de caça de grandes animais em comunicado emitido na segunda-feira.

"Com efeito imediato, a Delta proíbe o transporte como carga de troféus no mundo todo de leões, leopardos, elefantes, rinocerontes e búfalos", detalhou a companhia americana. Os animais na lista, agora na lista de proibições das companhias, são conhecidos como "Big five" (Os cinco grandes, em tradução livre) porque seriam os mais difíceis de serem mortos a pé.

A Delta ressaltou que até agora sua política era a de aceitar somente aqueles troféus que cumprissem "de forma estrita" com todas as regulações governamentais em relação às espécies protegidas, e antecipou que "revisará" outros troféus de caça além dos animais mencionados.

Horas depois do comunicado da Delta, as outras duas maiores companhias aéreas dos EUA, United Airlines e American Airlines, também anunciaram proibições no transporte de troféus de caça dos cinco animais citados.

A morte do leão Cecil causada pelo americano Walter James Palmer suscitou uma onda de críticas nos EUA e nas redes sociais, enquanto vários cidadãos foram protestar na clínica do dentista residente em Minnesota, que está fechada há vários dias.

Além disso, o Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre o caso, ao assegurar que "compartilha" o interesse do Zimbábue na proteção das espécies ameaçadas e para averiguar se a morte do leão pode estar conectada com uma rede ilegal de tráfico de animais.

Segundo a Força Especial para a Conservação do Zimbábue (ZCTF, na sigla em inglês), Palmer participou no último dia 6 de julho em uma caçada noturna no Parque Nacional de Hwange, no oeste do país.

O leão Cecil, de 13 anos de idade, foi atraído com uma presa amarrada a um veículo como isca para abatê-lo fora do parque, de modo que tecnicamente a caça já não seria ilegal. O dentista e seus guias locais não tinham, porém, uma autorização válida para caçar um leão. 

O fim do transporte de troféus de caça de animais ameaçados de extinção já era parte de campanhas de ativistas mesmo antes da morte de Cecil. Na internet, uma petição iniciada no site Change.org por clientes da Delta teve quase 400 mil assinaturas.

A alemã Lufthansa Cargo, por exemplo, decidiu no começo de junho que não transportaria mais carcaças de leões, elefantes e rinocerontes provenientes da África. Já a Emirates SkyCargo baniu este tipo de transporte em maio.

A South African Airways também adotou um embargo ao transporte de troféus de caça de rinocerontes, elefantes, leões e tigres em abril depois de incidentes com documentos falsos. A empresa, no entanto, reverteu sua decisão duas semanas depois, dizendo que o Departamento de Assuntos Ambientais havia concordado em endurecer as inspeções contra documentação ilegal. / EFE e REUTERS

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