Maioria do povo americano apóia. Mas até quando?

Guerra, nos Estados Unidos, nem é sempre popular.A postura do público americano depende, historicamente, de três fatores: a gravidade da provocação, a qualidade da liderança e, principalmente, do sucesso no campo de batalha. Nos casos da Coréia e do Vietnã, por exemplo, o apoio da população foi condicionado a resultados rápidos e positivos. Segundo a organização Gallup, os norte-americanos começaram dando amplo apoio ao governo no caso da Coréia. Em julho de 1950, 65% endossaram essa campanha militar.Ocorreu que o povo acreditou na palavra do general Douglas MacArthur, que prometeu ?as tropas de volta em casa até o Natal.? Em dezembro de 1950, com os soldados ainda lutando na península coreana, somente 38% apoiavam a guerra e 49% já exigiam a paz.No Vietnã, o processo de erosão de apoio popular demorou, mas deu no mesmo. Em 1965, quando o presidente Lyndon Johnson mandou tropas pela primeira vez ao Vietnã, mais de 60% dos norte-americanos lhe deram seu aval. Em janeiro de 1968, depois da sangrenta ofensiva comunista de Tet, o apoio despencou para apenas 26%.De 1969 até a retirada do último soldado ianque do Vietnã, em 1972, o presidente Richard Nixon enfrentou uma situação sui generis na história: a recusa por parte de várias unidades do exército americano em lutar, fenômeno que incluía, em alguns casos, motins de soldados contra oficiais superiores.No caso do Vietnã, não houve provocaçãoNo Vietnã, principalmente, faltou liderança, tanto no campo político quanto no militar. A única ?provocação? foi o duvidoso ?incidente? no Golfo de Tonkin, em que pequenas embarcações vietnamitas supostamente atacaram destróieres americanos. O conflito mais parecido com o atual talvez seja a guerra contra a Espanha em 1898. A intervenção começou com uma provocação do tipo clássico, proporção grande e utilidade política óbvia ? o afundamento, por uma explosão até hoje misteriosa, de um navio americano de guerra, o encouraçado Maine, em Havana, Cuba.O presidente americano William McKinley conduziu a guerra de forma fria e firme. O público vibrou com vitória após vitória numa campanha de apenas dez semanas. Em determinados momentos, o inimigo até colaborou, coisa que o exército americano quer repetir com os iraquianos hoje. Em junho de 1898, O general espanhol José Toral pediu, dos próprios americanos, um bombardeio ?simbólico? de Santiago de Cuba para não ter que dizer que a cidade se rendeu ?sem um único tiro.?No final, os Estados Unidos engoliram Cuba, as Filipinas e Porto Rico. A guerra atual pode ter a mesma trajetória: a provocação do atentado de 11 de setembro, a teimosia do President Bush e o sucesso rápido que tem, como saldo, a ocupação por parte do exército americano dos campos de petróleo do ex-inimigo. A guerra contra o Iraque começa com 66% dos americanos a apoiando, segundo o Gallup. Tem que ser rápidoMas esse apoio depende muito de um successo rápido para as armas americanas. A mesma pesquisa mostra um otimismo talvez exagerado por parte dos americanos. Por exemplo, 79% disseram acreditar numa vitória ?completa e rápida.? Um total de 62% disseram esperar baixas ?pequenas ou moderadas?, contra uma minoria de apenas 34% que aponta para prováveis baixas ?significativas.? Obstáculos no campo de batalha podem produzir um rápido revés político, como nos casos de Coréia e Vietnã. Não faz muito tempo ? foi na primeira semana de janeiro ? que somente 52% dos americanos entrevistados pelo Gallup apoiavam a guerra. Veja o especial :

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