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Maioria dos americanos aprovaria uso de armas nucleares em caso de guerra

Pesquisa da Universidade Stanford revela que 60% dos americanos apoiaria o uso dos artefatos para evitar ter de invadir um país

O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 21h42

LOS ANGELES - Uma boa parte dos americanos (60%)  apoiaria o uso de armas nucleares como as utilizadas contra Nagasaki, no Japão, se os Estados Unidos estiverem em uma situação de uma guerra similar, disseram à agência EFE especialistas da Universidade Stanford.

"Muitos se perguntaram se os EUA fariam o mesmo hoje se nos colocarmos em uma situação similar. Essa pesquisa mostra que o público americano apoiaria o uso de armas nucleares outra vez contra um país não nuclear para evitar ter de invadir esse país em uma guerra", disse o professor de Ciência Política da Universidade de Stanford, Scott Sagan, em entrevista à EFE.

A Universidade Stanford realizou a pesquisa por causa do 72.º aniversário do lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente.

Para o estudo, os pesquisadores criaram uma guerra hipotética contra o Irã, para avaliar, entre outras coisas, o apoio à tese conhecida como "tabu nuclear", uma espécie de restrição moral coletiva ao uso desse tipo de arma contra civis.

O estudo descobriu que o apoio do público americano ao princípio de não atingir os não combatentes é "superficial" e "facilmente superado pelas pressões da guerra".

A maioria dos entrevistados considerou como válido o uso de armas nucleares quando se trata de proteger as tropas americanas e os objetivos da guerra, ainda que isso represente a morte de milhares de civis.

"A descoberta mais impactante desse estudo é que 60% dos americanos aprovariam matar mais de 2 milhões de civis iranianos com armas nucleares para prevenir uma invasão do Irã que poderia matar 20 mil soldados dos EUA", afirmou Sagan.

Em 1945, 85% dos americanos disseram que aprovavam a decisão do então presidente, Harry Truman, de lançar bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki para provocar a rendição do Japão.

Em 2015, Sagan fez parte de um estudo que reavaliou o bombardeio às cidades japonesas. A pesquisa descobriu que apenas 46% dos americanos viam o ataque como correto. No entanto, os entrevistados não foram colocados em um cenário de eventual guerra.

O relatório desta semana ganha relevância em um momento de crescimento de tensão entre os EUA e a Coreia do Norte.

"Talvez Kim Jong-un pense que o público americano não apoiaria represálias nucleares e preferiria o fim da guerra se ele usasse armas nucleares contra as tropas e bases dos EUA. Nosso estudo sugere que os americanos exigiriam vingança", concluiu Sagan. / EFE

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