Maioria dos húngaros não vincula Gyurcsány a violentos protestos

O primeiro-ministro da Hungria, osocial-democrata Ferenc Gyurcsány, está se saindo bem da crise que opaís atravessa às custas de seu principal rival político e pessoal,Viktor Orban, líder do partido conservador Fidesz, a quem se vinculaos violentos protestos. É o que diz a mais recente pesquisa do instituto Szonda Ipsospublicada nesta sexta-feira no jornal Népszabadság, de centro-esquerda, que foiamplamente divulgada pela imprensa húngara. Dos mil entrevistados, 51% acham que Orban teve um papelimportante na escalada dos violentos acontecimentos do início dasemana, após ele incitar a população a resistir ao GovernoSocial-democrata. No entanto, 57% consideram que Gyurcsány não é o primeiropolítico a mentir e, por isso, não é o responsável pela maior criseno país desde a queda da ditadura comunista em 1989. "Viktor Orban fez, na semana passada, um pedido à populaçãohúngara no qual incentivava a resistência popular. Com isso, eledesempenhou um papel importante na escalada dos eventos?", perguntouo instituto de pesquisa aos entrevistados. Um dado ilustrativo é que 29% dos eleitores do Fidesz deramresposta afirmativa a esta pergunta. Krisztián Szabados, analista político do reconhecido instituto depesquisas Political Capital, não se surpreendeu com o resultado daenquete, já que, na sua opinião, seu centro de análise já haviaprevisto que a situação atual poderia se transformar em uma profundacrise para o Fidesz e, principalmente, para Orban. Após o vazamento de uma conversa particular na qual Gyurcsányadmitiu ter mentido sobre a situação da economia para vencer aseleições, Szabados achou que o primeiro-ministro cairia. No entanto, para o analista político, devido a sua rápidaadmissão dos fatos e sua firmeza diante dos atos violentos, opremier conseguiu escapar da pressão. Gyurcsány "encheu a imprensa com suas declarações e, desde então,tudo dependia do Fidesz, no sentido de que poderia se aproveitar dasituação", disse Szabados. O analista acha que era evidente que, por trás das manifestações,"estavam o Fidesz e grupos de extrema direita. Desde o momento noqual se atirou a primeira pedra, o Fidesz ficou em uma situaçãodelicada." "A violência nas ruas aconteceu dentro de um contexto no qualOrban falou sobre sublevação, resistência e radicalização" e, naopinião de Szabados, muitas pessoas vincularam, assim, o partidoconservador a posições extremistas. Para o analista, o povo vê claramente o papel desempenhado peladireita "e fica muito difícil para Orban explicar que ela não temnada a ver com o que aconteceu". "Acho que, com o tempo, isto será pior para o Fidesz", disse. O partido decidiu na quinta-feira não participar de uma reuniãoconvocada por Gyurcsány, qualificado pelo bloco como "persona nongrata" na vida política do país. Pela primeira vez em três dias, não foram registrados namadrugada desta sexta-feira incidentes violentos entre os manifestantes e apolícia em Budapeste. Por outro lado, o chefe da Polícia de Budapeste, Péter Gergényi,disse na televisão pública que cerca de 500 pessoas que participaramdos distúrbios nos últimos dias estão sendo procuradas. O vazamento de uma gravação na qual Gyurcsány reconhecia terenganado o eleitorado "por um ano e meio" - tempo em que esteve àfrente do Governo - para vencer as eleições parlamentares em abrilfoi o estopim do protesto dos últimos dias nas ruas de Budapeste. Nos três primeiros dias de violência, as manifestações deixaram237 feridos. A Polícia deteve 197 pessoas. Apesar da onda de protestos, o primeiro-ministro reiterou que nãopensa em renunciar ao cargo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.