Rebecca Cook/Reuters
Rebecca Cook/Reuters

Maioria dos islâmicos nos EUA rejeita a Al-Qaeda

Segundo pesquisa, 81% dos muçulmanos americanos têm visão negativa da rede; apenas 1% considera que atentados contra civis são 'defensáveis'

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2011 | 00h00

Dez Anos do Onze de Setembro

 

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - A maioria dos muçulmanos dos EUA não apoia a Al-Qaeda, condena atentados suicidas, demonstra preocupação com o extremismo islâmico e acha que seus líderes religiosos não têm feito o suficiente para combater o radicalismo. As informações são de uma pesquisa do Instituto Pew para tentar retratar a comunidade islâmica dez anos depois dos atentados do 11 de Setembro.

 

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Segundo o levantamento, 81% dos muçulmanos nos EUA têm uma visão desfavorável da Al-Qaeda, responsável por orquestrar os atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. Apenas 5% deles dizem ter uma imagem positiva da rede terrorista. O restante dos entrevistados optou por não responder à pergunta.

Os números praticamente não se alteraram desde a pesquisa anterior, em 2007, quando George W. Bush ainda estava na presidência. O suporte para a rede fundada por Osama bin Laden é maior entre os muçulmanos nascidos nos EUA (10%) do que entre os imigrantes (3%).

Oito em cada dez muçulmanos nos EUA acham que qualquer forma de atentado suicida é injustificável, enquanto somente 1% acredita a que ação terrorista "pode ser defensável".

Seguidores. Até poucos anos atrás, não havia casos de terrorismo envolvendo muçulmanos americanos ou residentes nos EUA. Os 19 terroristas do 11 de Setembro eram estrangeiros, entre eles 15 sauditas. Mas recentes episódios em solo americano, como o atentado em Fort Hood, no Texas, e a tentativa de explodir uma van na Time Square, em Nova York, envolveram americanos seguidores do Islã e muçulmanos residentes nos EUA.

Isso tem deixado os integrantes da comunidade islâmica apreensivos. Segundo a pesquisa, 60% dos muçulmanos dos EUA acham preocupante o crescimento do extremismo islâmico no país.

Anwar al-Awalaki, um dos principais líderes da Al-Qaeda na Península Arábica, tem dupla cidadania: iemenita e americana. O Conselho das Relações Islâmico-Americana garante que esses casos são isolados e diz que a população muçulmana nos EUA é bem integrada.

Segundo o levantamento do Pew Institute, 56% dos muçulmanos que desembarcam nos EUA querem adotar o modo de vida americano, enquanto 20% optam por manter os costumes de seus países de origem.

Espionagem. Existe entre eles um certo temor em relação a muçulmanos que não teriam cometido nenhuma infração e, ainda assim, são alvo de ações de espionagem de órgãos do governo americano.

Esta semana, em que os muçulmanos comemoram o Eid al-Fitr, marcando o fim do mês sagrado do Ramadã, uma série de entidades islâmicas condenou um programa da agência de inteligência americana CIA em parceria com a polícia de Nova York que prevê monitorar muçulmanos na cidade.

Os resultados do estudo têm como base entrevistas feitas com 1.033 muçulmanos americanos, conduzidas entre os dias 14 de abril e 22 de julho, nos idiomas inglês, árabe, farsi e urdu.

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