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Natacha Pisarenko/AP
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Maioria dos peritos afasta hipótese de homicídio de Nisman

De grupo de 15 especialistas, apenas 2 - os contratados pela família de promotor argentino - sustentam que houve assassinato

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2015 | 12h06

BUENOS AIRES - A maior parte da junta médica que se dedicou a descobrir o que ocorreu no apartamento do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no dia 18 de janeiro em seu banheiro com um disparo na cabeça, concluiu não haver indício de homicídio. Este foi o parecer entregue nesta quinta-feira, 21, por de 13 dos 15 peritos envolvidos no trabalho, reproduzido em 203 folhas. Os dois que sustentam a tese de que o promotor foi morto são os contratados pela ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado. Eles abandonaram a junta antes do final e apresentaram suas conclusões em um envelope fechado.

Os 13 peritos com parecer comum são os funcionários públicos que acompanham o caso desde o início, além daqueles chamados para a junta médica quando apareceram as divergências com os especialistas contratados pela família do promotor. Também está no grupo majoritário o perito contratado por Diego Lagomarsino, técnico em informática que trabalhava para Nisman e afirmou ter emprestado a ele a arma calibre 22 de onde partiu o disparo. Lagomarsino foi colocado como suspeito a partir das conclusões da equipe à serviço da família, que mudou a teoria sobre a hora e a forma da morte.


Os especialistas a serviço da ex-mulher de Nisman situam a morte na noite de sábado, dia 17 de janeiro, dentro da faixa horária em que Lagomarsino visitou o apartamento. Lagomarsino alega ter emprestado ao promotor a pistola calibre 22 da qual saiu o disparo e deixado o apartamento às 20 horas. Sua defesa argumenta ainda que o computador de Nisman foi ligado no domingo de manhã, sugerindo que a morte não pode ter ocorrido na véspera. Os demais investigadores concluíram que o promotor morreu na manhã do dia 18, em uma linha de investigação que indica suicídio. Ainda faltam resultados de análises técnicas de equipamentos do promotor, como telefone e computador, e a conclusão da equipe de criminologia.

Nisman comandava uma equipe que investigava o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), que matou 85 em 1994. Quatro dias antes de seu corpo ser achado no bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires, o promotor havia denunciado a presidente Cristina Kirchner e outros altos funcionários por acobertar os iranianos acusados de atacar a Amia. 

Em 2013, Cristina impulsionou um acordo com o Irã para que os acusados fossem ouvidos em Teerã. Nisman dizia ter provas de que esse pacto tinha apenas interesses comerciais. Sua denúncia foi rejeitada duas vezes na Justiça e definitivamente arquivada há duas semanas. 

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