Maioria dos presos em Guantánamo não lutou contra os EUA

Análise de documentos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, divulgada na quinta-feira, revela que mais da metade dos supostos terroristas detidos em Guantánamo não são acusados de cometer atos contra as forças dos EUA, ou seus aliados. A pesquisa, feita por dois advogados que representam alguns dos presos na base naval dos EUA em Cuba, aponta que apenas uma pequena porcentagem dos mais de 500 detidos foi capturada pelas forças americanas."A grande maioria dos detidos nunca participou de um combate contra os Estados Unidos", disse o relatório, que recopilou os dados com a ajuda de estudantes da Escola de Direito da Universidade Seton Hall, no Estado de Nova Jersey.Os supostos terroristas permanecem lá indefinidamente e sem apresentação de acusações, como "combatentes inimigos". Essa condição priva os detidos da proteção das Convenções de Genebra sobre prisioneiros de guerra, segundo a interpretação do governo americano.A maioria foi capturada em 2002, após a ofensiva militar dos EUA no Afeganistão, como parte da guerra global contra o terrorismo. O relatório diz ainda que 55% de um total de 517 prisioneiros não são acusados, segundo os documentos, de cometer atos hostis contra as forças dos EUA ou de seus aliados. Apenas 5% foram capturados pelas forças americanas.O restante foi aprisionado por tropas paquistanesas no Afeganistão e no Paquistão, ou pela "Aliança do Norte" que ajudou os EUA a tirar do poder o regime fundamentalista taleban.Alguns deles foram denunciados por caçadores de recompensa que depois desapareceram, o que dificultou a verificação sobre os supostos contatos terroristas dos detidos.Alguns são perigososA análise dos documentos do Departamento de Defesa também revelou que existem provas indicando que alguns dos detidos são realmente perigosos, e ocupavam postos hierárquicos em grupos terroristas.Um total de 11% deles se reuniu com Osama Bin Laden. Um desses detidos, inclusive, participou das discussões dos detalhes dos atentados de 11 de setembro de 2001 antes de sua execução, nos EUA.Além disso, outro prisioneiro é considerado um taleban que torturou e assassinou cidadãos afegãos, segundo o relatório. "No entanto, as provas vinculadas a outros detidos são muito menos impressionantes", acrescentou.As autoridades americanas disseram que muitos dos detidos foram selecionados cuidadosamente entre mais de 8.000 capturados durante a guerra no Afeganistão.

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