Maioria quer que Chávez abandone poder

Pelo menos 54% dos venezuelanos querem que o presidente Hugo Chávez abandone o poder, segundo pesquisa de opinião divulgada ontem pelo jornal El Nacional, que, poucas horas antes, havia sido alvo de violentas manifestações de protesto por parte de simpatizantes do líder venezuelano. Segundo a sondagem realizada pelo instituto Consultores 21, a maioria dos eleitores é favorável à convocação de um referendo para forçar Chávez a entregar o cargo. Em agosto de 2001, apenas 36% estavam de acordo com essa opção. A pesquisa revelou também um aumento da popularidade de dirigentes oposicionistas, como Júlio Borges, do partido Primeiro a Justiça, que detém o apoio de 51% dos venezuelanos. Chávez ocupa hoje o quinto lugar na preferência do eleitorado, com 40% das intenções de voto. Outro dado significativo: 61% dos 1.500 eleitores entrevistados por Consultores 21 nas principais cidades responsabilizam o presidente pelas dificuldades enfrentadas - principalmente as relativas às altas taxas de desemprego e delinqüência. El Nacional, um dos mais tradicionais diários venezuelanos, tem sido um crítico contumaz do governo. E, por isso, sofre ataques diretos do presidente e de seus partidários. Durante mais de quatro horas, cerca de 200 simpatizantes de Chávez concentraram-se diante do edifício de El Nacional no centro de Caracas, gritando slogans contra o jornal e realizando um panelaço. Jornalistas e funcionários administrativos sofreram ameaças de agressão. Os dirigentes mandaram fechar todas as entradas do edifício, temendo uma invasão. A multidão entrou em choque com os segurança que reagiram lançado granadas lacrimogêneas. Quando um pelotão da Guarda Nacional surgiu, chegou-se a temer por um choque entre as duas forças. A direção do jornal responsabilizou Chávez pelo incidente. El Nacional publicou editorial intitulado "Ditador sem rosto", no qual ressalta que Chávez se desfez da imagem de democrata e "assumiu sua verdadeira face autoritária". Quase toda a mídia venezuelana condenou o incidente. O Bloco de Imprensa da Venezuela, que reúne os meios de comunicação, declarou-se em "estado de alerta para defender a liberdade de expressão". A entidade pretende recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à Organização dos Estados Americanos e à Sociedade Interamericana de Imprensa.

Agencia Estado,

09 Janeiro 2002 | 02h15

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