Maioria republicana ajudará Bush na América Latina

Uma das primeiras ações do Congresso que se instalará em janeiro, já então sob controle do Partido Republicano, será a confirmação das nomeações propostas pelo presidente George W. Bush, entre as quais figuram com destaque dois hispânicos. O Comitê de Assuntos Jurídicos, que se encarrega das audiências correspondentes, cuidará prioritariamente da confirmação do juiz hondurenho Miguel Estrada e do subsecretário de Estado para a América Latina, Otto Reich, de origem cubana. Estrada já passou pelo crivo de uma audiência, mas o comitê jurídico ainda não notificou sua confirmação - um dos maiores desejos de Bush. O comitê, controlado pelos democratas, confirmou entre 80 e 130 nomeações propostas por Bush para os círculos judiciais americanos. Estrada foi advogado de Bush no polêmico caso dos resultados eleitorais na Flórida, nas eleições presidenciais de 2000. Sua radical oposição ao aborto e sua pouca experiência haviam deixado o senador Patrick Leahy, atual presidente do comitê, em dúvida quanto a avançar no processo. Reich, por sua vez, entrou em função após ser nomeado por decreto presidencial, por não ter recebido sequer a programação de uma audiência a ser marcada pelo comitê. Mas uma nomeação direta só lhe permite exercer o cargo por 12 meses, período que vence em dezembro. Leahy alegou que Reich era um político de extema direita e sua posição diante do presidente cubano, Fidel Castro, foi considerada "muito radical" - o que obstruiria uma abertura de Cuba para a democracia. Com o controle republicano sobre o Senado e a Câmara dos Representantes, em razão das eleições de ontem, o trabalho legislativo reforçará também as iniciativas do presidente Bush para a América Latina. Não se espera, no entanto, grandes avanços com o México no tema da imigração. As iniciativas democratas para resolver o caso de mais de 3 milhões de trabalhadores mexicanos que vivem nos EUA sempre encontraram resistência por parte de alguns blocos republicanos, que estão mais interessados em fortalecer a segurança interna e em reduzir a imigração após os ataques terroristas do ano passado. Os republicanos tiveram o controle do Senado até junho do ano passado, quando o senador Jim Jeffords, de Vermont, anunciou que passava a ser independente, colocando a correlação de forças em 50-49-1, em favor dos democratas. Após as eleições de terça-feira, os republicanos têm garantidos pelo menos 50 assentos no 108º Congresso que se instalará em janeiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.