REUTERS/William Urdaneta
REUTERS/William Urdaneta

Mais 2 milhões deixarão a Venezuela em 2019, alerta ONU

Organização pedirá doações a países ricos para impedir que fluxo de venezuelanos desestabilize países vizinhos

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2018 | 21h25

A crise na Venezuela pode levar mais 2 milhões de venezuelanos a deixar o país em 2019, fazendo com que o total de refugiados chegue a 5,3 milhões. Os dados são da ONU que lançará nesta sexta-feira em Genebra um apelo mundial por recursos para atender ao fluxo de refugiados e imigrantes venezuelanos. 

Essa é a primeira vez que a entidade coloca a situação como uma crise humana. Até agora, segundo dados oficiais, cerca de 3,3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela, muitas fugindo da fome, da crise no setor de saúde, da violência e do desemprego. Mas o fluxo ganhará força em 2019. 

No início do mês, a ONU indicou que pretendia pedir ajuda de Europa, EUA e outros países ricos para impedir que o fluxo desestabilize a América do Sul. A avaliação é de que os países do continente já esgotaram seus recursos para lidar com a crise e, diante de milhões de deslocados, o temor é o de que a crise e a violência se proliferem e aumente a reação xenófoba contra os venezuelanos. 

Para impedir este cenário, a ONU precisa de US$ 736 milhões para ajudar os países vizinhos da Venezuela, um valor que já supera o que custará em 2019 as crises humanas na Líbia, Afeganistão ou Iraque. No total, 2,2 milhões de venezuelanos serão atendidos, além de outros 600 mil cidadãos de países fronteiriços. 

A entidade anuncia hoje o plano para lidar com o êxodo de refugiados e de imigrantes venezuelanos. O evento com algumas das principais agências da ONU tentará convencer doadores internacionais a resgatar os países da região. 

Ao Estado, um dirigente de alto escalão da ONU admitiu que alertou a Casa Branca de que, sem uma solução para a Venezuela e sem recursos nos países limítrofes, o êxodo de venezuelanos não demorará para seguir para os EUA. Na prática, isso colocaria ainda mais pressão sobre o governo de Donald Trump e sua política migratória restritiva. 

Uma das opções, portanto, seria garantir recursos para que alimentos sejam comprados e essa população em fuga possa ser atendida na América do Sul, antes que ela se dirija rumo ao norte. Na prática, isso colocaria ainda mais pressão sobre o governo de Donald Trump e sua política migratória restritiva. ​

Uma das opções, portanto, era a de garantir recursos para que alimentos sejam comprados e essa população em fuga possa ser atendida na América do Sul, sem tomar a “rota para o Norte”. 

 Além do temor de um fluxo para os EUA, a ONU estima que, sem recursos internacionais, países como Peru, Colômbia ou mesmo Brasil comece a ver um aprofundamento da reação xenófoba contra a população venezuelana, além da desestabilização de algumas regiões mais pobres. Por isso, uma da estratégias será a de investir em comunidades receptoras desses imigrantes, na esperança de fortalecer escolas, sistemas de saúde e mesmo moradia. 

Até o início de novembro, no Brasil, existiam 85 mil venezuelanos oficialmente registrados. Mas o número poderia aumentar de forma substancial. 

 A esperança da ONU, porém, é de que o pacote seja apenas o primeiro passo de uma operação mais ampla que possa também atender aos venezuelanos dentro do país. Por enquanto, apenas US$ 9,5 milhões foram autorizados para programas dentro da Venezuela. E, ainda assim, depois de uma cuidadosa negociação com o presidente Nicolás Maduro, que rejeita a ideia de uma ajuda humanitária mais ampla. Segundo ele, o risco é de que isso seja usado como pretexto para uma eventual intervenção militar estrangeira em seu país. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.