Mais 30 mortos em distúrbios religiosos na Índia

Manifestantes hindus armados incendiaram hoje casas de muçulmanos na vila de Pandarvada, no oeste da Índia, matando pelo menos 30 pessoas. Com ataque na vila, já são 295 os mortos nos piores confrontos religiosos na Índia em uma década. Ontem uma multidão de hindus incendiou um quarteirão de casas muçulmanas, matando doze crianças e 26 adultos, em meio a distúrbios em todo o Estado indiano de Gujarat provocados por um ataque muçulmano contra um trem lotado de nacionalistas hindus.A violência de ontem deixou pelo menos 58 mortos no Estado ocidental. O Exército foi chamado para ajudar a restabelecer a ordem em Ahmadabad, o centro comercial do Estado de Gujarat, onde policiais em minoria não conseguiram impedir, mesmo com gás lacrimogêneo e tiros de fuzil, que hindus incendiassem e saqueassem lojas e hotéis durante a greve estadual convocada por nacionalistas hindus.Narendra Modi, o ministro chefe do Estado, disse que o Exército pode também ser deslocado para 26 outras cidades onde foi declarado um toque de recolher. Nacionalistas hindus afirmaram que buscariam espalhar sua greve para todo o país nesta sexta-feira.Pelo menos 50 construções, a maioria de propriedade de muçulmanos, foram incendiadas em Ahmadabad por gangues de hindus gritando "Viva, Rama", em referência a um de seus deuses. Os distúrbios eclodiram depois que muçulmanos em Godhra, uma cidade a sudeste de Ahmadabad, atacaram na quarta-feira um trem repleto de nacionalistas hindus, matando 58 pessoas, entre elas 14 crianças.A tensão vinha crescendo nos últimos cinco dias em Godhra e outras cidades de Gujarat. Nacionalistas hindus viajavam de trem pelo Estado para o local sagrado em Ayodhya, no norte da Índia, onde o Conselho Mundial Hinduísta pretende construir um templo para o deus Rama sobre as ruínas de uma mesquita muçulmana do século 16. Hindus destruíram a mesquita em 1992, provocando distúrbios em todo o país que deixaram mais de 2.000 mortos. Apesar de ordens judiciais contrárias, o Conselho Mundial Hinduísta afirma que iniciará a construção do templo em 15 de março.O governo nacional pediu ontem calma à população, temendo que a violência sectária pudesse se espalhar rapidamente nesta nação de mais de 1 bilhão de habitantes, cujo nascimento 54 anos atrás foi marcado por confrontos entre hindus, muçulmanos e sikhs que deixaram cerca de um milhão de mortos.No pior incidente registrado ontem, cerca de 2.000 pessoas apedrejaram seis bangalôs de propriedade de muçulmanos numa vizinhança de maioria hindu em Ahmadabad. A turba jogou então querosene nas casas e as incendiaram. Doze crianças e 26 adultos foram queimados vivos.Devido a bloqueios montados pelos manifestantes nas ruas, a polícia levou duas horas e os bombeiros seis para chegarem ao local do incêndio.O ministro-chefe Modi havia informado anteriormente que 20 outras pessoas já haviam sido mortas em todo o Estado, entre elas dois manifestantes que foram baleados pela polícia nas cidades de Nadiad e Godhra.Manifestantes bloquearam rodovias em Ahmadabad, em um dos casos arrancando um motorista de um caminhão e o matando. A polícia disparou fuzis contra uma multidão, ferindo seis pessoas.Mas em outros pontos da cidade, a polícia ficou observando por horas ou ocasionalmente disparando bombas de gás lacrimogêneo enquanto gangues incendiavam hotéis, postos de gasolina, carros, restaurantes e lojas, fazendo fogueiras com produtos saqueados.Em várias rodovias do Estado, jovens com bastões paravam carros, procurando muçulmanos. Lojas de chá e tabacarias de muçulmanos na beira das estradas foram incendiadas.Em três cidades, sete muçulmanos foram mortos a facadas durante a madrugada.

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