Mais ataques no Iraque, mas sem vítimas americanas

Enquanto soldados americanos vasculhavam, hoje, diversas regiões do Iraque em busca de mísseis antiaéreos e deram início a investigações para obter dados sobre os insurgentes que ontem derrubaram um helicóptero americano, novos incidentes voltavam a se registrar. Uma pessoa morreu e 12 ficaram feridas em uma explosão ocorrida a cerca de cem metros de um santuário islâmico na cidade de Kerbala, disseram testemunhas. Em Bagdá, uma série de projéteis de morteiro foi disparada contra o centro da cidade ao cair da noite. De acordo com o comando militar dos EUA, um projétil atingiu uma instalação militar, mas não houve vítimas. Jornalistas hospedados no Hotel Palestina, na margem oriental do Rio Tigre, ouviram uma rápida sucessão de cinco explosões por volta das 21h10 locais. A única morte americana deveu-se a um acidente. Em Tikrit, cidade natal do deposto presidente iraquiano Saddam Hussein, um soldado da 4ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos morreu na tarde de hoje quando o veículo no qual viajava passou sobre uma mina terrestre, disse um porta-voz militar. Em Najaf, o presidente de uma corte iraquiana que investiga membros do Partido Baath foi seqüestrado e morto nesta segunda-feira, informou um colega. Aref Aziz, procurador-geral da Corte de Apelações de Najaf, disse que ele e seu colega Muhan Jabr al-Shuweily, foram seqüestrador por volta das 8h locais perto da casa de Shuweily. Ambos presidiam a corte. Segundo ele, os seqüestradores teriam dito "o presidente quer você, senhor Muhan" antes de matá-lo. Aziz disse que os seqüestradores o ameaçaram antes de libertá-lo: "O seu dia irá chegar. Não precisamos de você agora." A explosão de Kerbala ocorreu em uma rua movimentada a poucos metro do santuário Imã Hussein, um monumento de cúpula dourada situado cem quilômetros ao sul de Bagdá, disse o clérigo iraquiano Mohammed Abu Jaffar al-Assadi. Enquanto isso, militares americanos investigam a derrubada do helicóptero de ontem. Uma das pistas pode estar em Ramadi, a oeste do local onde caiu o aparelho. Dois dias antes do ataque, panfletos distribuídos em mesquitas advertiam que insurgentes iraquianos utilizariam "métodos modernos e avançados" contra os invasores. A destruição, ontem, do helicóptero Chinook - um dos dois que levavam dezenas de soldados para o Aeroporto Internacional de Bagdá para um período de férias - foi o incidente com maior número de baixas mortais em apenas uma operação desde 20 de março, quando os Estados Unidos iniciaram a invasão do Iraque. Aldeões que viram a queda do helicóptero ao sul de Faluja, 60 quilômetros a oeste de Bagdá, disseram que o aparelho foi atingido em sua parte posterior por um ou dois mísseis disparados a partir de uma palmeira. Acredita-se que centenas de mísseis que faziam parte do arsenal de Saddam Hussein estejam agora em poder dos insurgentes iraquianos. A situação é potencialmente grave para os ocupantes que utilizam os helicópteros Chinook - de vôo baixo e muito lento - como meio de transporte mais comum. Como resultado do ataque de ontem, o comando militar dos EUA poderia ver-se obrigado a reavaliar as rotas e táticas de vôo dos helicópteros e aviões que tem no Iraque.

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