REUTERS/Joshua Roberts
REUTERS/Joshua Roberts

Mais da metade dos americanos reprova resposta de Trump a confrontos raciais

Pesquisa do jornal 'Washington Post' e da emissora ABC aponta que declarações do republicano foram rejeitadas por 56% de seus compatriotas; presidente convoca cidadãos ao patriotismo 'como ferramenta para superar o ódio'

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 09h52

WASHINGTON - Uma pesquisa do jornal "Washington Post" e da rede de televisão "ABC" divulgada na segunda-feira aponta que 56% dos americanos reprovam a resposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos confrontos em Charlottesville, no Estado da Virgínia. Entre os republicanos, porém, 62% o apoiam.

Realizada entre os dias 16 e 20 deste mês, a pesquisa questionou a 1.014 cidadãos se eles aprovam ou desaprovam a ambígua resposta do governante, muito criticada até mesmo por líderes de seu próprio partido em Washington e por grandes empresários.

Em 12 de agosto, poucas horas após a exibição de símbolos fascistas em uma manifestação de grupos supremacistas, um neonazista atropelou com seu veículo pessoas que estavam em um protesto antirracista, matando uma mulher de 32 anos e ferindo outras 19 pessoas.

O país esperava uma condenação inequívoca do presidente aos grupos supremacistas, mas o que Trump disse é que havia "violência e ódio" (naquele dia sequer falou em racismo) em "muitos lados", uma mensagem que reafirmou três dias depois, apesar das críticas.

Além dos 56% dos americanos que reprovam a resposta de Trump, 28% a aprovam, segundo a pesquisa, que tem uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

A diferença dessa percepção entre democratas e republicanos é abismal: 6% dos democratas aprovam a reação de Trump (84% a desaprovam), e 62% dos republicanos a avalizam (19% a rejeitam).

Esta pesquisa indica que a base de eleitores do presidente tem se mantido fiel durante aquela que muitos analistas políticos consideram sua pior semana na Casa Branca. 

De fato, algumas vozes apontaram na semana passada que Trump evita atacar grupos supremacistas porque seus simpatizantes o apoiaram desde o começo da sua campanha.

A pesquisa evidencia uma enorme diferença entre a avaliação dos afro-americanos (mais de 8 em cada 10 desaprovam a resposta), hispânicos (quase dois terços a rejeitam) e brancos (49% contra e 35% a favor).

Patriotismo

Tentando deixar para trás a polêmica causada por seus comentários sobre a violência racista, Trump convocou na segunda-feira seus compatriotas ao patriotismo como ferramenta para superar o ódio.

Ele o fez logo no início de um discurso para revelar sua estratégia para o Afeganistão. Sem mencionar Charlottesville, nem os supremacistas brancos, Trump sugeriu aos americanos que seguissem "o heroico exemplo" dos militares para encontrar "a inspiração que o país necessita para se unir, se curar, e continuar sendo uma só nação".

"Quando abrimos nossos corações para o patriotismo, não há espaço para preconceitos, não há espaço para a intolerância, e não há tolerância para o ódio", indicou Trump.

"Os jovens, homens e mulheres, que enviamos para lutar nossas guerras merecem voltar para um país que não está em guerra consigo mesmo em casa. Não podemos continuar sendo uma força de paz para o mundo se não estamos em paz entre nós", acrescentou o presidente.

Trump argumentou que os soldados entendem algo do qual os Estados Unidos "se esquecem frequentemente como país: que um ferimento infligido em um único membro da comunidade é um ferimento infligido em todos".

"Quando uma parte dos EUA sofre, todos sofremos. E quando um cidadão sofre uma injustiça, todos sofremos lado a lado. A lealdade à nossa nação exige que tenhamos lealdade uns com os outros. O amor pelos Estados Unidos requer amor a toda sua gente", afirmou Trump. / EFE

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