REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez
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Mais de 1 milhão de venezuelanos já deixaram o país, aponta relatório da ONU

Levantamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) entre 2014 e 2017 mostra um forte aumento nos pedidos de asilo e outros vistos no ano passado motivado, principalmente, pelo agravamento da crise econômica e política no país

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 11h48

GENEBRA - A crise na Venezuela já causou a partida de mais de um milhão de pessoas do país em busca de uma melhor vida principalmente em outras nações do continente americano. Os dados estão em um relatório de dezembro do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), com base nas informações prestadas por países que tem recebido esse fluxo de venezuelanos.

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"Um número crescente de venezuelanos continua a deixar o país", apontou o relatório, que faz um levantamento dos números entre 2014 e 2017. "Muitos dos entrevistados afirmam que temem por suas vidas se retornarem", diz o texto da Acnur, sobre a situação até dezembro de 2017.

Desse total, pouco mais de 103 mil deles pediram status de refugiados pela região e na Espanha. No ano passado, o Acnur aponta que foram 17,4 mil pedidos de asilo nos Estados Unidos, 15,6 mil no Brasil, 7,3 mil na Espanha, 5,6 mil no Peru, 2,6 mil no México, 2,5 mil no Panamá e 2,2 mil na Costa Rica.

Os números de 2017 mostraram um forte aumento em comparação ao que se registrava entre 2014 e 2016. Naqueles três anos, foram 28 mil pedidos de asilo nos EUA, 4,7 mil no Brasil e apenas 4,1 mil na Espanha. O pedido de asilo se refere às pessoas que consideram que são sendo perseguidas pelo Estado ou ameaçadas de morte. 

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Mas, segundo a ONU, muitos dos venezuelanos não tem optado pelo pedido de asilo ao deixar o país. "Muitos outros estão solicitando vistos ou permissões de residência temporária", indicou, apontando que tais caminhos facilitariam a situação para encontrar trabalho e escola. 

"Pela região, cerca de 190 mil pessoas pediram status legal alternativo", explicou a agência da ONU, numa referência a vistos que não se referem diretamente ao asilo. 

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Além dessa população com solicitações legais, o Acnur deixa claro que um "número muito significativo daqueles deixando o país não tem acesso a qualquer tipo de status legal e se deparam com problemas cada vez maiores para regularizar sua estadia". Pelos dados mantidos apenas pelos governos, só no Equador, seriam cerca de 93 mil venezuelanos nessa situação de irregularidade, além de cerca de 80 mil no Peru e 202 mil na Colômbia. 

Ao monitorar a situação em toda a região, a agência da ONU constata que os venezuelanos estão deixando seu país por várias razões, como "insegurança e violência, falta de acesso à comida, remédios e serviços essenciais, assim como perda de renda como resultado da atual situação econômica". 

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No caso do Brasil, o Acnur aponta que os venezuelanos continuam chegando ao País. Segundo a entidade, muitos têm ficado em cidades do norte por "falta de recursos". 

"Entre os principais desafios para os venezuelanos está o acesso a alimentos, remédios, moradia, educação e empregos", destaca a ONU. "As comunidades locais tem aberto suas portas, mas estão sofrendo para apoiá-los na sua busca por condições de vida dignas."

Precariedade

No final de 2017, a entidade apontava que três locais no Brasil tinham sido escolhidos para que centros de acolhimento fossem erguidos. Eles estavam em Pacaraima e Boa Vista, ambos em Roraima, e Manaus, no Amazonas.

Pelo menos naquele momento, no entanto, a constatação da ONU era de que a condições desses centros não eram ideais. "Ainda que progresso continue a ser feito, especialmente relacionado com o envolvimento das autoridades locais e melhoria na infraestrutura, as condições de vida continuam precárias, especialmente quanto à segurança, água, saneamento, higiene e serviços de saúde", apontou o relatório.

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Em outros centros, a questão da capacidade é o que começa a preocupar. O centro de Pintolandia, em Boa Vista, por exemplo, contava com espaço para 382 pessoas até o final de 2017. Mas já havia recebido 480 pessoas, principalmente da tribo Warao.  

No centro de Tancredo Neves, também na capital de Roraima, existiam 495 pessoas, mas o local havia sido erguido para apenas abrigar apenas 182 pessoas. Nesse caso especifico, a agência da ONU alertou que o centro ainda não tinha atingido até o final de 2017 "o padrão mínimo de segurança e proteção". 

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De acordo com o Acnur, um plano foi entregue pela entidade para as autoridades de Roraima para que pudessem trabalhar em um centro com condições mínimas para receber os venezuelanos. 

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