Alexander Nemenov / AFP
Alexander Nemenov / AFP

11 jornalistas russos se demitem após reportagem sobre aliados de Putin

Ação é protesto contra demissão de dois colegas em razão de um artigo; texto mencionava fontes anônimas que diziam que a presidente da Câmara mais alta da Assembleia russa poderia ser substituída pelo chefe do Serviço de Inteligência Estrangeiro nos próximos meses

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 08h16

MOSCOU - Um editor e 10 repórteres do jornal russo Kommersant se demitiram na segunda-feira, 20, em protesto contra a demissão de dois colegas em razão de um artigo sobre uma possível remodelação dos aliados do presidente Vladimir Putin.

As demissões, envolvendo toda a equipe política do Kommersant, deram destaque às tensões entre editores e repórteres no cenário midiático controlado pela Rússia, dominado por agências estatais pró-Kremlin.

Os dois repórteres, Ivan Safronov e Maxim Ivanov, disseram que foram forçados a se demitir após a editora do Kommersant - de propriedade do empresário bilionário Alisher Usmanov - se ofender em razão de um artigo publicado em abril. O Kommersant, empresa líder em negócios adquirida por Usmanov em 2006, não respondeu a um pedido por comentários.

A reportagem em questão, publicada no dia 17 de abril, mencionava fontes anônimas que diziam que Valentina Matviyenko, presidente da Câmara mais alta da Assembleia Federal da Rússia, poderia ser substituída por Serguei Naryshkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeiro, nos próximos meses.

O motivo pelo desentendimento em relação a essa reportagem não estava claro. À época, porta-vozes de Matviyenko e Naryshkin se referiram ao artigo, que ainda está disponível no site do Kommersant, como "boatos".

Gleb Cherkasov, editor de política do Kommersant, disse que ele e 10 colegas se demitiram em solidariedade a Safronov e Ivanov, em um fluxo que o repórter Vsevolod Inutin disse que equivalia a toda a seção política do jornal.

"O acionista tem o direito de tomar decisões pessoais e os funcionários têm o direito de não concordar com eles de maneira alguma, mudando o emprego deles", escreveu Cherkasov no Facebook.

Pressão externa

Renata Yambaeva, editora-chefe adjunta de negócios que não se demitiu, culpou as críticas contra Usmanov e um de seus representantes, Ivan Streshinsky, denunciando as ações como pressão externa sobre o jornal.

"Talvez haja alguém entre os nossos leitores que possa explicar para Usmanov e Streshinsky que agora estão destruindo uma das melhores mídias da Rússia", disse ela. / Reuters

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