Mais de 100 cidades dos EUA marcham em protesto por jovem negro assassinado

Manifestantes pedem a abertura de um processo na Justiça Federal contra o vigia George Zimmerman por crime de ódio racial

Denise Chrispim Marin, CORRESPONDENTE / WASHINGTON

20 de julho de 2013 | 19h18

Como pressão sobre o Departamento de Justiça, a comunidade negra realizou neste sábado, 20,  marchas em mais de 100 cidades dos Estados Unidos para pedir a abertura de um processo na Justiça Federal contra George Zimmerman por crime de ódio racial. O vigia voluntário Zimmerman foi absolvido no dia 13 pela Justiça Flórida da acusação de homicídio culposo do estudante negro Trayon Martin na cidade de Sanford em fereveiro de 2012. Mas, nesse julgamento, não foi avaliada a motivação racial de seu crime.

A marcha em Nova York foi liderada pela mãe de Martin, Sybrina Fulton, e pelo pastor batista Alfred Sharpton, ativista de Direitos Civis e apresentador do programa de televisão PoliticsNation, da MSNBC. Estrelas como Beyonce e Zay Z se uniram ao protesto de Nova York. Em Miami, o pai do estudante assassinado, Tracy Martin, liderou a manifestação em frente ao tribunal federal da cidade. Manifestações ocorreram também em Washington, Atlanta, Los Angeles, Baltimore e outras cidades americanas.

"Hoje, foi meu filho. Amanhã pode ser o seu", disse Sybrina, emocionada, em discurso à maioria negra que a seguira na marcha. "Vou continuar a lutar por Trayvon até o dia da minha morte. Não apenas vou lutar por ele, mas também por seus filhos", declarou Tracy Martin.

Trayvon fora abordado por Zimmerman na noite de 26 de fevereiro de 2012, quando caminhava de uma loja de conveniência para a casa de seu pai. Ele estava encapuzado e trazia consigo um pacote de doces e um refrigerante. Houve uma briga, e Martin dominou Zimmerman, que o matou com um tiro no peito. O vigia era um voluntário e não tinha autorização legal para exercer a função.

Todas as manifestações deste sábado começaram às 12h (13h, no horário de Brasília), ilustradas por cartazes que diziam "Todos nós somos Trayvon Martin" e "Sem Justiça, sem Paz". Até o dia 13, a comunidade afroamericana esperava a condenação de Zimmerman. Agora, frustrada, espera colocar luz sobre a discriminação racial ainda prevalecente no país e pressionar o governo de Barack Obama a processar Zimmerman por crime de ódio racial.

No dia 19, em uma inesperada declaração à imprensa, Obama dissera que "poderia ter sido Martin 35 anos atrás". O presidente confessou ter sido vítima de atitudes preconceituosas e enfatizou que, nos EUA, as maiores vítimas de crimes violentos são os joves negros. Obama propôs aos americanos fazer um exame de consciência sobre o racismo e indicou ser favorável ao processo federal contra Zimmerman e ter se frustrado com a decisão da Justiça da Flórida. Mas não prometeu o processo, por falta de evidências mais claras de crime racial.

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