Mais de 100 empresários 'burgueses' foram presos, diz Maduro

Segundo presidente, ação faz parte da 'ofensiva econômica' para combater a inflação e os preços abusivos no país

O Estado de S. Paulo,

15 de novembro de 2013 | 13h01

Mais de 100 empresários "burgueses" foram presos pelas autoridades venezuelanas desde o fim de semana em uma campanha contra a manipulação de preços, anunciou na noite de quinta-feira, 14, o presidente Nicolás Maduro.

"Temos mais de 100 burgueses atrás das grades neste momento", afirmou o líder bolivariano em discurso transmitido pela televisão estatal venezuelana. Segundo autoridades, as companhias dos empresários detidos praticavam valores inescrupulosos em artigos eletrônicos, aumentando em mais de 1000% os preços.

Maduro também reforçou o anuncio de que, assim que a Lei Habilitante - que aumentará seus poderes - vai baixar decretos que regulem o lucro no comércio venezuelano, fixando entre 15% e 30% a margem de lucro permitida.

"Não é hora de afrouxar, é hora de apertar a ofensiva e vamos a fundo, temos que chegar até a raiz da guerra econômica nesta batalha pela Venezuela", disse.

Ao longo da semana, milhares de venezuelanos fizeram longas filas nas lojas de departamento do país para aproveitar os descontos em eletrodomésticos e eletrônicos impostos pelo governo por meio de decreto - parte da "ofensiva econômica" de Maduro para tentar combater a inflação, que chega a 54% nos últimos 12 meses.

Para analistas, as medidas tomadas pelo presidente devem ter mais um efeito político do que econômico. "Os anúncios recentes foram centrados em aumentar o controle do Estado. É muito pouco provavel, no entanto, que resolvam os problemas de inflação e de desabastecimento", afirmou, em nota, o banco de investimentos Barclays.

"Mesmo que sejam tomadas medidas efetivas sobre as consequências, esta crise não será resolvida se o governo não tratar da origem do problema", disse o analista político Luis Vicente León. / AP

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