Mais de 100 imigrantes de Bangladesh e Mianmar podem ter morrido em confronto por comida em barco

Sobreviventes levados à Indonésia disseram que a violência começou quando os suprimentos começaram a acabar

O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2015 | 22h11

JACARTA - Pelo menos 100 pessoas morreram em violentos confrontos entre imigrantes de Bangladesh e da etnia rohingya, de Mianmar, armados com machados, facas e barras de metal, em um barco perto da costa da Indonésia, disseram sobreviventes dos dois grupos.

A violência começou quando a comida e a água começaram a faltar, disseram sobreviventes à agência France Presse, muitos deles feridos. Esses sobreviventes formam parte dos 3 mil bengalis e rohingyas que chegaram nas últimas semanas à Indonésia.

 Alguns dos sobreviventes, que se salvaram porque pularam na água quando começaram os confrontos, dizem que mais de 200 pessoas podem ter morrido. Os bengalis e os rohingyas se acusam mutuamente de ter iniciado o confronto.

"De repente os bengalis saíram da parte coberta e atacaram todos os que estavam na parte superior do barco", disse um migrante rohingya, Asina Begun, de 22 anos, instalado em um campo de acolhimento na cidade de Langsa, um povoado da Província de  Aceh, no noroeste da Indonésia, onde está a maioria dos refugiados.

"Os que queriam salvar suas vidas tiveram de pular no mar, mas meu irmão não conseguiu. Quando o encontraram, o golpearam, degolaram e jogaram no mar", disse Begun. 

Os bengalis, por sua vez, disseram que os rohingyas, uma minoria muçulmana perseguida em Mianmar, eram favorecidos pelo capitão do barco, que lhes dava quase toda a água e comida e foram atacados quando pediram que os suprimentos fossem igualmente divididos.

Ainda abalados com o pesadelo vivido no barco, os imigrantes também vivem a angústia de não poder se comunicar com seus parentes, que não têm notícias deles desde que embarcaram vários meses atrás. "Não podemos falar com nossas famílias. Não sabem se estamos vivos ou mortos. Provavelmente pensam que morremos", disse o bengali Mohammad Ali Meshar.

Pescadores indonésios resgataram mais de 100 imigrantes de Bangladesh e da etnia rohingya e os levaram à costa da Província de Aceh na madrugada de quarta-feira (horário local), disse uma autoridade de busca e salvamento.

"Outros 400 foram avistados no mar e os pescadores estão tentando trazê-los à terra", disse Khairul Nova, da agência de busca e salvamento nacional. Ele acrescentou que os imigrantes haviam desembarcado na cidade de Kuta Binje, em Aceh.

Com esse grupo, já são quase 1.400 os imigrantes que conseguiram desembarcar na Indonésia depois de semanas à deriva no Mar de Andaman com pouca comida ou água.

Outros milhares permanecem no mar, já que os governos da região estão fazendo pouco para resgatá-los, apesar dos apelos internacionais. / AFP e REUTERS

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