Mais de 100 mil protestam contra militares em Mianmá

Monges pedem retirada de Junta Militar do poder; apesar da tensão, protestos acabam pacificamente

Agências internacionais,

24 de setembro de 2007 | 09h00

Mais de 100 mil pessoas uniram-se nesta segunda-feira, 24, às marchas lideradas por mais de 20 mil monges budistas na cidade birmanesa de Yangun, nos maiores protestos contra os generais que governam Mianmá desde que manifestações de estudantes foram esmagadas, há 20 anos. A manifestação foi encerrada pacificamente, aumentando a pressão aos líderes da Junta Militar do país para que o regime deixe o poder.       Veja também:  Inflação e truculência do governo causam protestos de monges "As ruas estão lotadas", disse uma testemunha sobre as manifestações em oposição aos generais e aos 45 anos de seu governo, que transformaram o país rico em recursos em uma das nações mais pobres da Ásia. Cinco colunas de monges, uma delas com mais de um quilômetro, marcharam de um santuários mais sagrados do país, o Shwedagon, para o centro da cidade, sob aplauso de milhares de pessoas que se juntaram ao grupo Os protestos começaram em 19 de agosto, motivados pelas altas dos preços dos combustíveis decretadas pelo governo, que dispararam os preços de bens da cesta básica. As tensões agravaram-se no início de setembro, quando um grupo de monges foi agredido por soldados da tropa de choque durante uma manifestação pacífica. "As pessoas entrelaçaram seus braços em volta dos monges", contou a testemunha sobre o sexto dia de protestos. Entre as faixas levadas por eles há pedidos por reconciliação e libertação de presos políticos - um deles é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Repressão Na manhã desta segunda, vários caminhões carregados de soldados percorreram diversas ruas do centro de Rangum. Muitas lojas da antiga capital birmanesa não abriram. Os comerciantes temem um confronto entre as forças do governo e os manifestantes. A hierarquia budista do país, submetida ao controle governamental, ordenou que os monges retornarem aos seus mosteiros e abandonarem as manifestações de protesto contra a Junta Militar. A Associação de Presos Políticos da Birmânia denunciou nesta segunda a detenção de 218 pessoas por participar das manifestações. A organização disse em comunicado que muitos dos presos foram submetidos à tortura física e psicológica durante os interrogatórios.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmarprotestomonge

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.