Mais de 100 morrem durante confrontos na Nigéria

Extremistas islâmicos auto-denominados Taleban fazem barricada em torno de casa de líder religioso

28 de julho de 2009 | 09h04

Mais de cem pessoas morreram em confrontos entre forças de segurança e milicianos islâmicos em uma cidade do nordeste da Nigéria, afirmaram testemunhas nesta terça-feira, 28. Os militantes islâmicos radicais que atacaram alvos do governo nigeriano no fim de semana organizaram ainda barricadas em torno da casa do seu líder, Mohamed Yusuf, na cidade de Maiduguri.

 

A violência começou no fim de semana, depois de milicianos islâmicos de um grupo conhecido como "Taleban nigeriano" terem promovido ataques a delegacias, prisões, igrejas e prédios do governo no norte do país.Autoridades locais não confirmam o número de mortos nos choques. "Mais de cem corpos foram deixados no quartel da polícia e outros mais estão sendo levados", disse Ibrahim Bala, jornalista de uma rádio local, em entrevista à AFP. Outra jornalista disse ter contado mais de cem corpos deixados no pátio da delegacia de Maiduguri, capital do Estado nigeriano de Borno.

 

Um repórter da BBC foi orientado a deixar o local, porque os homens, armados, estariam atirando em qualquer um que se aproxime. As autoridades reforçaram a segurança e impuseram toque de recolher nos quatro Estados do norte do país atingidos pela violência - Bauchi, Yobe, Kano e Borno.

 

O "Taleban nigeriano" surgiu em 2004, quando estabeleceu uma base em Kanamma, no Estado Yobe, fronteira com Níger. Dali, o grupo passou a promover ataques contra a polícia. Acredita-se que a maior parte dos integrantes dessa milícia seja composta por estudantes universitários que abandonaram os estudos. A maior parte da população do norte da Nigéria é muçulmana, mas há redutos cristãos nas principais cidades da região, o que causa tensão entre os dois grupos religiosos. Desde 1999, 12 Estados do norte nigeriano estabeleceram a Sharia, código de leis islâmico.

 

Alguns dos militantes seguem o líder religioso, Mohammed Yusuf, que se opõe à adoção de linhas pró-ocidentais de educação nas escolas - orientações que, para o líder, iriam contra os ensinamentos islâmicos. Seguidores de Yusuf em Bauchi são conhecidos como Boko Haram, que significa "Educação é proibida". Eles atacaram uma delegacia de polícia no domingo depois que seus líderes foram presos. Segundo correspondentes, este seria um grupo religioso menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.

 

A tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas. Mas, os últimos episódios de violência não ocorreram entre comunidades, envolveram jovens de grupos religiosos, que se armaram e atacaram a polícia.

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