Mais de 120 morreram nos últimos dois dias na Síria, dizem ativistas

Sexta-feira foi o dia mais mortífero desde o início dos protestos contra o governo de Bashar al-Assad

Agência Estado

23 de abril de 2011 | 17h43

BEIRUTE - Subiu para 123 o total de mortos pelas forças de segurança na Síria em dois dias de protestos contra o regime sírio, informaram neste sábado, 23, ativistas. Testemunhas afirmaram que forças de segurança abriram fogo contra pessoas que participavam de procissões fúnebres, deixando pelo menos 15 mortos.

 

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Ammar Qurabi, líder da Organização Nacional da Síria pelos Direitos Humanos, disse que 112 pessoas foram mortas na sexta-feira e pelo menos 11 morreram neste sábado, embora o canal árabe Al-Jazira tenham noticiado que o número de fatalidades chega a 15. A sexta-feira foi de longe o dia mais sangrento dos protestos na Síria, com a polícia atirando deliberadamente, com munição de verdade, contra manifestantes.

 

 

Os parlamentares Nasser Hariri e Khalil Rifai, indignados com a violência da repressão do regime do presidente Bashar Assad contra os manifestantes, renunciaram. Os dois são da região de Deraa, no sul do país e onde os protestos começaram contra Assad em meados de março. "Se eu não posso proteger o meu povo dessas balas traiçoeiras, então não existe mais motivos para que eu fique na Assembleia do Povo. Eu declaro minha renúncia", disse o parlamentar Hariri à Al-Jazira.

 

 

A renúncia dos dois foi o primeiro sinal de que existem divergências dentro do regime sírio, em um país onde quase todos os opositores foram presos ou exilados durante os 40 anos de dinastia e despotismo da família Assad. "Eu não posso tolerar que o sangue dos nossos filhos inocentes seja derramado", disse o xeque Rizq Abdul-Rahim Abazeid, logo após renunciar ao seu cargo de mufti (líder islâmico sunita) da cidade de Deraa.

 

A violenta repressão da sexta-feira ocorreu após Assad ter alertado, há uma semana, que qualquer prosseguimento nas manifestações seria considerado "sabotagem" após ele ter feito o gesto de suspender o odiado estado de emergência, que vigorava na Síria desde 1963.

 

A contagem de mortos não pode ser confirmada, uma vez que a Síria expulsou os jornalistas e restringiu o acesso aos locais problemáticos. As testemunhas falaram na condição de anonimato por medo de represálias.

 

O número crescente de mortes também aumenta a condenação internacional ao regime. Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, definiu como "ultrajante" o uso da força pelo regime. França e União Europeia também pediram à Síria que pare de reprimir violentamente as manifestações. As informações são da Associated Press.

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