Elías Levy Benarroch/EFE
Elías Levy Benarroch/EFE

Mais de 13 mil venezuelanos entraram no Equador em dois dias, sem visto

Começou nesta segunda-feira a exigência de um visto humanitário para que venezuelanos possam entrar no Equador; imigrantes fizeram protesto e bloquearam fronteira com a Colômbia

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2019 | 22h20

QUITO - Mais de 13 mil venezuelanos chegaram ao Equador por diferentes postos fronteiriços, vindos da Colômbia e do Peru, no último fim de semana, informou nesta segunda-feira, 26, o Ministério de Governo.

 

Os imigrantes aproveitaram as últimas horas para entrar no país sem a exigência de um visto humanitário, que passou a entrar em vigor nesta segunda. 

O fluxo migratório de venezuelanos no Equador passou de 2,4 mil em 19 de agosto para quase 7 mil somente no dia 24. 

"Entre o sábado 24 e domingo 25 ingressaram no país 13.110 pessoas venezuelanas", precisou à Agência France Press uma fonte da imigração. 

A grande maioria, pouco mais de 11 mil imigrantes, entrou pela ponte internacional de Rumichaca, limítrofe com a Colômbia.

Foi neste local que os venezuelanos protestaram contra a nova medida, bloqueando a passagem de veículos na ponte. Uma morte foi registrada por enfarto, de um equatoriano que morava há 40 anos na Venezuela e fazia o trajeto para sair do país.  

A migração do Equador registrou, mesmo assim, a saída de 2,4 mil venezuelanos no mesmo fim de semana. Destes, 2 mil foram ao Peru. 

A exigência de um visto começou às 0:00hs horário local (2hs horário de Brasília) da segunda. 

Entenda a nova medida

Antes, os venezuelanos podiam ingressar no Equador com uma identidade do país, mas com as novas medidas impostas por Quito, passou a ser exigido um visto humanitário de residência temporária de dois anos, que pode ser adquirido por meio de um serviço virtual desde a última quarta-feira, 21.

Para isso, exige um passaporte venezuelano que não esteja expirado por mais de cinco anos, além de um atestado de antecedentes criminais quitado, legalizado ou validado pelo governo da Venezuela. 

Tais requisitos apresentam dificuldades aos venezuelanos, que não conseguem renovar ou obter passaportes por causa da crise financeira, política e social no país. 

O Equador estima que 300 mil venezuelanos se encontram no país. Destes, um terço permanece de maneira irregular. O governo quer regulamentar a estadia dos imigrantes a partir de outubro. 

A previsão é de que 500 mil venezuelanos devam estar no Equador até o fim de 2019. 

Desde 2016, 3,3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). A grande maioria se encontra na América Latina. 

Somente a Colômbia recebeu 1,4 milhões de imigrantes. / AFP e EFE           

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