Marinha italiana/AP
Marinha italiana/AP

Mais de 135 mil imigrantes cruzaram o Mediterrâneo em 2015

Segundo a ONU, número é recorde; um terço das pessoas que foram para a Europa desde janeiro é de nacionalidade síria

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 09h10

GENEBRA - O número de imigrantes e refugiados que cruzaram o mar Mediterrâneo nos seis primeiros meses de 2015 bate todos os recordes. Dados divulgados nesta quarta-feira, 1, pela ONU revelam que 137 mil pessoas cruzaram o mar em direção à Europa entre janeiro e o final de junho. Um terço de todos os refugiados é de nacionalidade síria. 

Os números são 83% superiores ao que foi registrado em 2014, com 75 mil pessoas cruzando o mar. 

A ONU alertou que enquanto a Europa debate como lidar com os imigrantes, os números mostram que a grande maioria daqueles que chegam é composta por refugiados que fogem de guerras. Além dos sírios, a lista é liderada por afegãos e eritreus, nacionalidades que recebem quase que de forma automática o estatus de refugiado. Pelas regras assinadas pelos próprios países europeus, os governos não podem fechar suas fronteiras a quem foge de conflitos. 

Para a ONU, o que mais preocupa é que tradicionalmente o segundo semestre do ano sempre registra um volume maior de refugiados. Em 2014, por exemplo, o número de julho a dezembro foi quase o dobro do primeiro semestre. 

O informe também revela que o número de mortes foi recorde em 2015, ainda que tenham caído de forma substancial desde maio. Entre janeiro e março, foram 479 pessoas mortas. Em abril, esse número chegou a 1,3 mil. Mas caiu para 68 em maio e 12 em junho. 

Para o alto comissário de Refugiados da ONU, Antonio Guterres, a tendência de queda nos números é "positiva". Nas últimas semanas, a Europa lançou uma operação militar para socorrer dezenas de barcos, mas também para destruir as redes de traficantes. 

Ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos anos, o maior porto de entrada na Europa deixou de ser a Itália. Hoje, é a rota entre a Turquia e a Grécia que bate todos os recordes. A maioria dos refugiados, neste caso, é de sírios. 

Depois de anos vivendo em uma situação crítica em campos de refugiados na Turquia ou Líbano, muitos apostam a sorte para chegar até a Europa. Na Grécia, que vive um caos financeiro, o governo não tem condições de dar assistência a essa nova população e, segundo a ONU, os apelos por doações não têm a resposta adequada. 

Muitos continuam a viagem, entrando pela Ex-República Iugoslava da Macedônia, onde cruzam a fronteira a cada dia cerca de mil pessoas vindas da Grécia. 

Nesta quarta, Guterres fará um novo apelo por dinheiro e para que a Europa continue a manter suas fronteiras abertas. "A UE tem a responsabilidade de ajudar aqueles que tentar se proteger de guerras", declarou. "Negar isso é ameaçar a base do sistema humanitário que a Europa trabalhou para criar", completou. 

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