Sean Rayford/Getty Images/AFP
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Mais de 170 mil pessoas assinam petição para proibir Trump de ir à Grã-Bretanha

Londrinos alegam que pré-candidato republicano às eleições presidenciais dos EUA está incitando o ódio com comentários relacionados à proibição da entrada de muçulmanos no território americano

O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2015 | 14h37

LONDRES - Mais de 150 mil pessoas assinaram nesta quarta-feira, 9, um manifesto para proibir a entrada na Grã-Bretanha do pré-candidato republicano às eleições presidenciais dos EUA Donald Trump por incitar o ódio, em resposta a sua proposta de fechar o território americano aos muçulmanos. Ele é filho de uma escocesa e tem dois campos de golfe no norte do país.

"A Grã-Bretanha proibiu a entrada de muitos indivíduos por incitação ao ódio", constata o manifesto dirigido pelo Parlamento britânico. "Se a Grã-Bretanha vai seguir aplicando o critério de 'conduta inaceitável' aos que querem entrar no país, deve ser aplicado justamente tanto aos ricos quanto aos pobres, aos fracos e aos poderosos", conclui o manifesto intitulado "Proíbam a entrada de Donald Trump na Grã-Bretanha". Confira a petição aqui.

O manifesto superou as 10 mil assinaturas, número necessário para que o governo tenha que responder a ele. O local onde houve mais assinaturas foi a Escócia, segundo um mapa que permite consultar sua procedência.

Há ainda outro manifesto em circulação pedindo à Universidade Robert Gordon de Aberdeen, na Escócia, que retire o título honorífico que foi concedido a Trump em 2010.

O político justificou seus comentários citando o massacre em Paris, que deixou 130 mortos e mais de 350 feridos em 13 de novembro, e a situação em Londres.

"Paris não é mais o que era. Há partes de Paris que estão radicalizadas, às quais a polícia se nega a ir. Há locais em Londres e outras regiões onde a polícia teme por sua vida", afirmou.

O porta-voz do primeiro-ministro David Cameron disse na terça-feira que os comentários de Trump foram “divisionistas, inúteis e simplesmente errados”. Mas o ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, foi além em sua opinião.

“Francamente, os comentários de Donald Trump voam em face aos princípios fundadores dos EUA”, alegou, acrescentando que eles deveriam ser confrontados por meio de argumentos democráticos. “Esse é o melhor caminho para lidar com Donald Trump e suas visões, ao invés de tentar banir os pré-candidatos.”

A Polícia Metropolitana de Londres também criticou Trump. “Normalmente nós não dignificaríamos tais comentários com uma resposta. Contudo, nessa ocasião, pensamos que é importante dizer aos londrinos que o Sr. Trump não poderia estar mais errado”, afirmou a força policial em um comunicado.

O prefeito da capital, Boris Johnson definiu os comentários de Trump como sem sentido, acrescentando: “A única razão para eu não ir a algumas partes de Nova York é o risco de encontrar Donald Trump”. /AFP e REUTERS

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