Mais de 18 milhões de hindus celebram no rio Ganges

Mais de 18 milhões de hindus, desde homens sagrados e nus armados com espadas até peregrinos pobres, banharam-se no Ganges, um rio sagrado da Índia, na sexta-feira, no dia mais importante e mais agitado de um tradicional festival. Quando a alvorada surgiu, um grande número de pessoas que passou a noite de inverno às margens do Ganges, na cidade de Allahabad, realizou um mergulho nas águas geladas, ao som de orações e cantos dirigidos aos deuses hindus. O banho de sexta-feira é o evento mais importante do festival de Ardh Kumbh Mela, que dura seis semanas e que começou no dia 3 de janeiro. O festival é a celebração religiosa com o maior número de participantes do mundo. Milhões de hindus mergulham no rio durante o festival e em especial nesse dia, quando o alinhamento dos planetas seria o mais favorável. Entrar nas águas tem por objetivo lavar os pecados e livrar os fiéis do tradicional ciclo terreno de vida e morte. Conta-se que milhares de anos atrás, um néctar divino caiu dos céus nesse dia, em Sangam - o local onde o Ganges, o Yamuna e um terceiro rio místico, o Saraswati, unem-se. "Esse é o maior de todos os dias, e acontece uma vez em vários anos", afirmou Mithilesh Saran Mittal, um diretor de escola, depois de banhar-se. "As bênçãos que se obtêm hoje são únicas." Homens sagrados e nus, conhecidos como Naga Sadhus, entraram no rio em grande número, espirrando água e dançando em êxtase. A seita dos homens sagrados do hinduísmo simboliza um antigo exército de deuses hindus que enfrentou os demônios para conseguir sua fatia do néctar celestial. "Em vista do grande afluxo de fiéis, tenho certeza de que pelo menos 20 milhões de pessoas vão se banhar hoje, até o final do dia", disse à Reuters P.R. Misra, chefe do setor administrativo do festival. Um grande aparato de segurança foi instalado no local da celebração a fim de evitar um ataque de grupos militantes como os que enfrentam o domínio indiano sobre a região norte da Caxemira. Mas os peregrinos pareciam não estar preocupados com as eventuais ameaças. "Essa é uma terra sagrada e, hoje, quando os céus estão jogando o néctar divino sobre Sangam, como pode qualquer mal atingir os devotos?", perguntou Vidyanand Giri. O Ganges é um dos rios mais poluídos da Índia, mas isso tampouco parecia preocupar os fiéis. "Sim, a água pode parecer poluída e fria. Mas, quando a gente entra dentro dela, a gente se sente purificado e a apreensão desaparece", disse Jasraj Puri, um australiano de 35 anos de idade que saiu de Sydney uma década atrás para se transformar em um asceta hindu, adotando seu nome atual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.