EFE/Said Yusuf Warsame
EFE/Said Yusuf Warsame

Mais de 20 milhões de pessoas sofrem com a fome na Nigéria, Sudão do Sul, Somália e Iêmen

Unicef alerta que cerca de 1,4 milhão de crianças correm risco de morrer por desnutrição; assistência nos setores de alimentação, saúde e higiene são priorizados, mas recursos ainda não são suficientes

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 12h17

Mais de 20 milhões de pessoas na Nigéria, Sudão do Sul, Somália e Iêmen estão sofrendo com a fome ou correm o risco de entrar para esse grupo dentro dos próximos seis meses, segundo um relatório recente do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Unocha).

O documento explica que assistência nos setores de alimentação, saúde e higiene estão sendo priorizados, mas ainda são necessários muitos recursos para uma resposta rápida à crise atual.

O Unicef alertou que nos quatro países citados, aproximadamente 1,4 milhão de crianças estão em risco iminente de morte por desnutrição. Em depoimento à organização ActionAid, Canab, de 14 anos, vive na Somalilândia, república autoproclamada ao norte da Somália, e relata as dificuldades vividas. “Arroz e, às vezes, milho são as únicas coisas que eu cozinho, porque não temos comida. Só temos alimentos quando há distribuição de ajuda”, diz ela.

Com um bebê de um mês, Ifrah Mohamed, de 30 anos, relata que é difícil amamentar sua filha diante da fraqueza que sente em consequência da falta de alimentos.

 

O Unicef necessitará de cerca de US$ 255 milhões para proporcionar às crianças serviços de alimentação, água, saúde, educação e proteção durante os próximos meses, segundo uma nova atualização do orçamento. O projeto visa destinar mais de US$ 81 milhões a programas de nutrição, US$ 53 milhões para serviços de saúde, incluindo as vacinas, e US$ 47 milhões para programas de água, saneamento e higiene para a prevenção de doenças mortais.

 

Próximo à fronteira da Etiópia, Hinda, de 35 anos, relata que não há hospitais na região. “Quando nós ficamos doentes ou nossos filhos adoecem, tratamos com ervas e com toda a nossa fé em Deus, pois não podemos fazer nada”, conta ela.

O Iêmen vive a maior emergência alimentar do mundo, com 7,3 milhões de pessoas que necessitam de ajuda atualmente, segundo as Nações Unidas. Na Somália, o Unicef oferece atendimento a 1,7 milhão de crianças menores de 5 anos e trata até 277 mil casos de desnutrição aguda por meio de serviços de saúde e postos móveis de nutrição.

No nordeste da Nigéria, a organização pretende chegar este ano a 3,9 milhões de pessoas com serviços de atendimento primário de saúde e tratar 220 mil crianças menores de 5 anos com desnutrição. Além disso, quer proporcionar acesso à água potável para mais de 1 milhão de pessoas.

No Sudão do Sul, o fundo da ONU para a infância presta assistência a 145 mil pessoas em regiões afetadas e ameaçadas pela fome, entre elas 33 mil crianças menores de 5 anos. / com EFE

 

 

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