REUTERS/Wolfgang Rattay
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Mais de 200 mil franceses assinam petição contra status de primeira-dama para mulher de Macron

Em um momento de proibição da contratação de parentes por parte de ministros e parlamentares na França, vontade de tornar oficial o papel da mulher do chefe de Estado incomoda parte da opinião pública

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 15h01

PARIS - Mais de 270 mil pessoas assinaram uma petição contra um eventual status de primeira-dama para Brigitte Macron, mulher do presidente francês Emmanuel Macron. A presidência ainda quer esclarecer e tornar mais transparente o “papel público” dela.

"Brigitte Macron desempenha um papel. Tem responsabilidades. Queremos transparência e delimitar os meios dos quais dispõe", disse no Twitter o porta-voz do governo, Christophe Castaner, em meio à divulgação de um abaixo-assinado contra esse status oficial.

Eleito em maio, Macron já havia anunciado durante a campanha presidencial que desejava criar um "verdadeiro status" de primeira-dama para acabar com a "hipocrisia francesa". "Terá um papel e não será escondida, porque compartilha minha vida e porque sua opinião é importante (...). Acredito que seja importante esclarecer esse papel", declarou ele, antes de assumir a presidência.

Em um momento de proibição da contratação de parentes por parte de ministros e parlamentares, a vontade de tornar oficial o papel da mulher do chefe de Estado incomoda parte da opinião pública.

Lançado há duas semanas, o abaixo-assinado "contra o status de primeira-dama para Brigitte Macron" contava na manhã desta terça-feira, 8, com 270 mil assinaturas.

"Em um momento em que o governo quer economizar (...) não podemos apoiar a iniciativa de um status específico para a mulher" do presidente, afirma a petição, apresentada no site Change.org por Thierry Paul Valette, que se apresenta como "pintor e autor" e "cidadão comprometido".

"Com esse status, a primeira-dama exercerá seu papel como melhor lhe parecer e ela terá reconhecida uma existência jurídica que permitirá gozar de um orçamento", alega o texto.

Em resposta, o gabinete de Macron anunciou na véspera que o Palácio do Eliseu especificará nos próximos dias qual será sua "função pública". Brigitte não receberá uma remuneração e não deve haver modificação na Constituição, acrescentam as mesmas fontes.

No papel, não está definido o âmbito de ação do cônjuge do chefe de Estado, nem os meios de que dispõe. Na prática, há tempos já se conta com gabinete, colaboradores e um serviço de proteção subordinados ao orçamento do Eliseu.

O gabinete de Valérie Trierweiler, ex-mulher de François Hollande - antecessor de Macron - teve € 400 mil euros em 2013. "A ideia é que os franceses possam saber quanto esse posto custa. É necessário que exista essa transparência", defendeu a porta-voz da maioria governista do Parlamento, Aurore Bergé, em entrevista. / AFP

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