AP Photo/Anis Ben Ali
AP Photo/Anis Ben Ali

Escola judaica é atacada e mais de 200 pessoas são presas durante protestos na Tunísia

Tunisianos protestam contra o aumento de preços e os novos impostos que entraram em vigor no dia 1.º janeiro

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 14h56

TÚNIS - Uma escola judaica em uma ilha da Tunísia foi atacada na noite de terça-feira, ao mesmo tempo em que a polícia respondia a protestos violentos em outras partes do país. Mais de 200 pessoas foram presas, segundo testemunhas e o Ministério do Interior.

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Coquetéis molotov foram lançados contra a escola na ilha turística de Djerba, lar de uma antiga comunidade judaica, e causaram alguns danos, mas não deixaram feridos, disse nesta quarta-feira, 10, o líder da comunidade judaica local, Perez Trabelsi.

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Não houve protestos em Djerba, mas moradores disseram que os agressores aproveitaram a presença reduzida das forças de segurança, uma vez que a polícia estava ocupada em confrontos nas manifestações antigoverno em outras áreas do país. “Pessoas desconhecidas usaram a oportunidade dos protestos e lançaram coquetéis molotov no saguão de entrada de uma escola religiosa judaica em Djerba”, disse Trabelsi.

No momento do ataque ao colégio, confrontos violentos eram registrados em cerca de 20 cidades tunisianas, conforme pessoas protestavam contra o aumento de preços e os novos impostos que entraram em vigor no dia 1.º de janeiro.

Cerca de 50 policiais ficaram feridos nos enfrentamentos, de acordo com o porta-voz do Ministério do Interior, Khelifa Chibani. "Há saques e roubos, mas também uma mensagem política de uma parte da população que não tem nada a perder e se sente ignorada pelo governo", sete anos após a Primavera Árabe, exigindo emprego e dignidade, aponta o cientista político Selim Jarrat.

Ele destaca que muitos edifícios públicos, símbolos do Estado, foram atacados, e o governo "ainda não se posicionou com firmeza contra os manifestantes".

Em Tebourba, 30 km ao oeste da capital, centenas de jovens tomaram as ruas após o enterro de um homem de 45 anos que foi morto nos distúrbios da noite anterior. Ainda há uma discussão sobre as causas da morte do indivíduo, que está sendo considerado um "mártir" pelos manifestantes.

Os resultados da necropsia ainda não foram divulgados. Mas o Ministério do Interior negou que ele tenha morrido nas mãos da Polícia, e destacou que ele não apresentava qualquer sinal de violência. Chibani afirmou apenas que o indivíduo tinha "problemas respiratórios".

Crise

Após vários anos de marasmo econômico, a Tunísia enfrenta dificuldades financeiras significativas. A inflação ultrapassou 6% no fim de 2017, enquanto a dívida pública e o déficit comercial atingiram níveis preocupantes.

Os ativistas da campanha "Fech Nestannew" ("O que estamos esperando"), lançada no início do ano contra o aumento dos preços, convocaram uma manifestação em massa na sexta-feira.

O mês de janeiro é tradicionalmente marcado por protestos na Tunísia desde a revolução de 2011. Neste ano, o contexto é especialmente tenso em razão da celebração, em maio, das primeiras eleições municipais desde a Primavera Árabe. / REUTERS e AFP

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