Mais de 220 são mortos na fronteira do Chade com Sudão

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) advertiu nesta terça-feira que a insegurança não pára de crescer no sudeste do Chade, na fronteira com a região sudanesa de Darfur, e expressou seu temor de que a violência entre comunidades fique fora de controle e se estenda a outras áreas. Segundo o Acnur, a violência se assemelha cada vez mais no sudeste do Chade e em Darfur, onde a ONU considera que ocorre uma das piores crises humanitárias da história. Só na semana passada, ataques de milícias árabes contra 20 localidades do sudeste do Chade causaram um total de 220 mortes e calcula-se que a violência armada provocou no último ano o deslocamento forçado de 68 mil chadianos, afirmou o porta-voz do Acnur, Ron Redmond. Isto aumentou a instabilidade do Chade, que, desde o início do conflito em Darfur, recebeu mais de 200 mil refugiados sudaneses, que vivem em acampamentos temporários administrados pela ONU. Diante do risco gerado por esta situação, o governo chadiano decretou, na segunda-feira, estado de emergência e anunciou que analisa uma estratégia para controlar a situação. A agência da ONU pediu à comunidade internacional que se mobilize rapidamente "para proteger os milhares de civis chadianos e refugiados sudaneses, assim como os trabalhadores humanitários que tentam ajudá-los". Redmond ressaltou que os testemunhos das vítimas da violência do lado chadiano indicam que os agressores "são quase sempre árabes e, em algumas ocasiões, são pessoas conhecidas e até vizinhos das vítimas, que viveram juntos durante gerações". O porta-voz acrescentou que os agressores costumam estar "bem armados, com fuzis, usam cavalos, camelos ou caminhões para se mobilizar e suas roupas podem ser tanto militares como civis". Ele disse que, como se acredita, em alguns casos o objetivo dos agressores seja expulsar os habitantes de suas terras para se apropriar delas, embora reconheça que pode haver outros motivos, que por enquanto são desconhecidos.

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